Bancos dos EUA lucram mais com mercado volátil

Operações de juros, moedas, derivativos e commodities engordaram balanços dos bancos no 3º trimestre; até junho, cenário era de calmaria

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2014 | 02h05

NOVA YORK - O aumento da incerteza e da volatilidade no mercado financeiro mundial pode assustar o investidor mais cauteloso, mas ajudou os maiores bancos dos Estados Unidos a lucrarem mais no terceiro trimestre. Nomes conhecidos como Citibank, Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley tiveram aumento das receitas com operações de juros, moedas, derivativos e commodities em um ritmo que surpreendeu os analistas de Wall Street e, como foi o caso do Citi, até os próprios executivos do banco.

Dos seis maiores bancos dos EUA em ativos, quatro divulgaram lucros melhores que o esperado pelos analistas: Citi, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Bank of America. Este último, porém, ainda viu o fantasma da crise de 2008 afetar seus números. O ganho caiu de US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre de 2013 para US$ 168 milhões este ano, depois que o banco foi forçado a pagar em agosto uma multa de US$ 16 bilhões para o governo por conta das hipotecas tóxicas da época da crise.

Um traço comum nos balanços dos grandes bancos norte-americanos no terceiro trimestre foi a expansão da receita com negócios de renda fixa, moedas, commodities e derivativos. Até o segundo trimestre, com a relativa calmaria no mercado financeiro, os bancos estavam registrando queda nessas receitas, por conta do menor níveis de negócios.

Os níveis de volatilidade das moedas, por exemplo, caíram para os menores patamares desde 1993, de acordo com o Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), formado pelos maiores bancos do mundo.

O terceiro período do ano começou também com um cenário de maior tranquilidade, mas as coisas começaram a mudar em setembro. A piora da tensão geopolítica e diversas notícias esquentaram o mercado - como o referendo para a independência da Escócia, o temor de avanço do Ebola, as dúvidas sobre o processo de normalização da política monetária dos EUA e a expectativa por novos estímulos do Banco Central Europeu (BCE) em meio ao fraco ritmo de crescimento da zona do euro. Com isso, os preços passaram a oscilar mais, garantindo mais possibilidade de negócios para os bancos.

Entre os grandes bancos do país, o Goldman Sachs divulgou aumento de 74% nas receitas com operações de renda fixa, moedas e commodities no terceiro trimestre na comparação com o mesmo período do ano passado, batendo as previsões dos analistas. No Citi, a expansão foi de 6,7%, melhor que o esperado pelo próprio banco. No JPMorgan, maior banco do país, a alta foi de 2,1%, que pode parecer pequena, mas foi na contramão do previsto pelos especialistas. Os analistas da Nomura, por exemplo, esperavam queda de 6% para as receitas do JP no segmento.

"Os negócios em moedas, juros e commodities cresceram todos, na medida em que os volumes e a volatilidade aumentaram de níveis relativamente baixos (em períodos anteriores). Quando começou o terceiro trimestre, todo mundo estava focado no fato de que não havia volatilidade. E agora as pessoas parecem sentir que há volatilidade demais", disse o diretor financeiro (CFO) do Goldman Sachs, Harvey Schwartz, em uma teleconferência para comentar os resultados do banco. "Embora dolorosa, (a volatilidade) é de certa forma uma parte normal do funcionamento do mercado", disse ele.

No Citi, o aumento das receitas no segmento veio principalmente com operações de moedas e de produtos securitizados. Na avaliação do presidente do banco, Michael Corbat, o cenário para a economia mundial está cheio de desafios, o que tem aumentado a incerteza e a volatilidade no mercado financeiro. "Enquanto a economia dos EUA parece aos poucos estar ganhando fôlego, a zona do euro não está ainda em ritmo de expansão e o crescimento nos países emergentes se desacelerou", disse na teleconferência de resultados do banco.

Entre as seis maiores instituições financeiras do país, o JPMorgan Chase foi o único que teve ganhos abaixo do previsto no terceiro trimestre. Mesmo assim, reverteu prejuízo de US$ 380 milhões e lucrou US$ 5,6 bilhões no período.

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