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Bancos dos EUA têm rombo de até US$ 4 trilhões

Insolvência de empresas obrigará governo a injetar mais dinheiro no sistema, dizem economistas

Patrícia Campos Mello, correspondente O Estado de S. Paulo,

14 de fevereiro de 2009 | 15h55

O governo americano já injetou cerca de US$ 1,9 trilhão no sistema financeiro desde o início da crise, em agosto de 2007. Mas isso é apenas o começo, alertam analistas ouvidos pelo Estado. Na visão do mercado, os grandes bancos estão à beira do precipício e gigantes como Citibank e Bank of America estariam insolventes. Ainda há um buraco de US$ 2 trilhões a US$ 4 trilhões a ser tapado nos bancos americanos.   Veja também: Com pacote aprovado, Obama quer agir rápido Entenda o novo plano dos EUA para resgatar bancos De olho nos sintomas da crise econômica  Dicionário da crise  Lições de 29 Como o mundo reage à crise   O sistema financeiro internacional está carregado com cerca de US$ 10,8 trilhões de papéis podres - títulos com pouca liquidez e difíceis de determinar o valor, que não têm mercado, muitas vezes têm como garantia hipotecas ou financiamentos que estão inadimplentes. Desse total, US$ 2 trilhões devem resultar em perdas, segundo cálculos do economista Nouriel Roubini.   Além disso, os bancos globais devem tomar calote em US$ 1,6 trilhão de US$ 12,37 trilhões de empréstimos não securitizados - ou seja, que não são renegociados para terceiros no mercado financeiro -, incluindo financiamentos de veículos, empresas e cartão de crédito, cuja inadimplência está subindo por causa da recessão. Bancos e corretoras americanas vão sofrer a metade de todo esse prejuízo - cerca de US$ 1,8 trilhão. O resto está no exterior. O problema é que o capital de bancos e corretoras americanas é de apenas US$ 1,4 trilhão. "Os bancos estão praticamente insolventes, mesmo se excluirmos os ativos securitizados", disse Roubini em seu estudo.   Simon Johnson, pesquisador do Peterson Institute for International Economics, calcula que o governo americano terá de injetar entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões - mas, em última instância, teria perdas de US$ 1 trilhão, porque parte desse dinheiro pode ser recuperada com vendas das participações nos bancos e recuperação de preços dos papéis.   O FMI elevou a previsão de perdas nos EUA com títulos lastreados em hipotecas, cartões de crédito e outros, de US$ 1,4 trilhão para US$ 2,2 trilhões. Segundo o Fundo, os bancos americanos e europeus vão precisar de mais US$ 500 bilhões para se manterem à tona, porque a recessão está aumentando a inadimplência em financiamentos, o que irá elevar as perdas com títulos.   O Tesouro americano propôs a criação de um fundo público-privado para comprar esses ativos tóxicos dos bancos e limpar seus balanços, para que o crédito volte a fluir. Mas a proposta apresenta um dilema. Se os ativos tóxicos forem comprados pelo preço de mercado, muitas vezes 50% abaixo do que consta dos balanços , muitas instituições vão quebrar.   Para o setor privado se animar a comprar esses papéis por preços que não quebrem os bancos, o governo terá de "subsidiar" essas compras com garantias ou financiamentos atraentes, que podem custar muito aos cofres públicos.   (Ampliada às 23h45)

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