Andre Dusek|Estadão
Andre Dusek|Estadão

Bancos e consultorias revisam para cima projeções do PIB em 2017

Novas estimativas são de crescimento de até 2,1% para o ano que vem; mudança no cenário político e melhora no desempenho de indicadores antecedentes sustentam as projeções

Márcia De Chiara, Altamiro Silva Junior, André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2016 | 18h02

Um dia após Michel Temer assumir interinamente a presidência da República aumentou o número de consultorias privadas e de bancos revisando para cima as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto ( PIB) para 2017. As novas projeções indicam crescimento de até 2,1% no ano que vem. No cenário anterior, a estimativa mais otimista era de avanço do PIB de 1,3%. 

A melhora nas estimativas de desempenho da economia é sustentada pela expectativa de que o novo governo consiga aprovar no Congresso medidas necessárias para o ajuste das contas públicas. Além disso, há indicadores antecedentes que sinalizam que a atividade já teria atingido o fundo do poço.

O Bradesco, por exemplo, revisou a expectativa de crescimento do PIB de 2017 de 1,3% para 1,5%. Segundo o economista-chefe Octavio de Barros, uma pesquisa mensal do banco com 4 mil empresas mostra  “claramente que o pior ficou para trás”.  “Os pedidos em carteira, na média, pararam de cair e os estoques já mostram clara tendência de retração”, observa.

Barros ressalta ainda que o desempenho recente das vendas de papelão ondulado, fluxo de veículos pesados nas rodovias, vendas de materiais de construção, por exemplo, sinalizam uma melhora.

Também o Banco Fibra, baseado no desempenho de alguns indicadores antecedentes, acredita que o fundo do poço já tenha sido atingido. O banco revisou de 1% para 2,1% a projeção de crescimento do PIB para 2017. “Diversos indicadores de confiança relacionados ao lado real da economia – indústria, serviços, comércio e construção civil - têm mostrado nos últimos meses alguma estabilidade que parece indicar que os empresários destes setores percebem que o pior já passou”, afirma o economista-chefe do banco, Cristiano Oliveira, em relatório.

Além disso, Oliveira observa que uma série de medidas comprometidas com o crescimento, estabilidade macroeconômica e austeridade fiscal que deve ser tomadas pelo novo governo pode melhorar o desempenho da economia no ano que vem.

Imediatismo. Já na quinta-feira, quando Temer assumiu o comando do País, o Credit Suisse divulgou a sua nova previsão de PIB para 2017, de queda de 1%  para crescimento de 0,5%. Em relatório enviado a clientes, os analistas  apontam que a articulação política será determinante para reversão da recessão.

Os analistas apontam que a mudança do cenário adverso requer aprovação de medidas no Congresso nas áreas da Previdência Social, do mercado de trabalho e do sistema tributário, atuações para elevar a produtividade da economia e ações emergenciais para reduzir o déficit primário no curto prazo, englobando corte de gastos, redução das renúncias tributárias e alta de tributos.

A mudança do governo também fez o  Bank of America Merrill Lynch (BoFA) elevar  a previsão de crescimento do Brasil em 2017, de 0,8% para 1,5%. A avaliação do banco é de que o tempo é uma questão essencial para a nova administração e que Temer precisa agir rapidamente, aproveitando a lua de mel com o mercado e o Congresso. Além disso, ele montou uma equipe econômica forte e com experiência em lidar com momentos de crise, o que também abre espaço para uma avaliação mais favorável do cenário.

Viés. Enquanto há bancos e consultorias que já alteraram as projeções outros aguardam as próximas semanas para alterá-las, mas já colocaram o viés de alta. A Rosenberg Consultores ainda mantém dois cenários para o crescimento do PIB em 2017, um negativo com queda de 0,8% e outro positivo com um avanço de 1%.

Mas, segundo a economista-chefe da consultoria, Thaís Zara, essa previsão deve ser alterada para um crescimento de 1% a 1,5% no PIB do ano que vem. A mudança se baseia em indicações de que o novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, terá base parlamentar necessária para aprovar as medidas necessárias para fazer o ajuste fiscal e da Previdência.

A consultoria MB Associados é outra que ainda não mudou a previsão do PIB para 2017, mas colocou um viés de alta. Sergio Vale, economista-chefe, diz que, por enquanto mantém a previsão de crescimento de 0,6%, mas acredita ser provável alcançar um crescimento de 1% a 2%. “Estamos esperando as primeiras medidas, especialmente como elas serão levadas ao Congresso e  se conseguirão ser aprovadas sem muitos percalços.”

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