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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Bancos e economia mantêm nublado o céu do investidor da Bovespa

Terminado o primeiro bimestre de 2009, a fraqueza de grandes bancos e a retração da economia global sinalizam que vão continuar represando uma recuperação dos mercados de ações, mas a Bovespa pode ampliar o descolamento em relação aos mercados mais enfraquecidos. Com a variação positiva de 0,01 por cento desta sexta-feira, o Ibovespa parou nos 38.183 pontos, cravando uma baixa de 2,84 por cento em fevereiro. O giro financeiro da sessão foi de 3,82 bilhões de reais. Para analistas, a diferença de performance entre o Ibovespa e os índices de Wall Street nesta sexta-feira mostra uma tendência ainda tímida, porém visível, de investidores voltando a demandar ativos de maior risco, à medida que surgem os primeiros indícios de solução para a crise no setor bancário dos Estados Unidos. Embora tenha fechado o mês com baixa, o Ibovespa ainda acumula ganho de 1,7 por cento no ano, aprofundando a distância em relação aos principais índices de Wall Street. Com a queda de 1,66 por cento desta sexta-feira, o Dow Jones já perdeu 19,5 por cento no ano. "Devagar, começam a surgir os primeiros detalhes de como vai funcionar o plano de ajuda a bancos que, embora não agrade muito, é o começo da solução", disse o analista econômico da Mercatto Investimentos, Gabriel Goulart. Um desses detalhes é que o governo dos EUA vai converter até 25 bilhões de dólares de ações preferenciais em ordinárias do Citigroup, passando a deter até 36 por cento do capital do banco. A decisão serviu para reforçar os temores de estatização no setor, o que levou as ações de bancos a novas quedas agudas. Para Goulart, a reação negativa do dia explica-se pela antipatia do investidor norte-americano à maior intervenção estatal na economia, mas essa é a única solução visível. Com influência maior dos mercados de commodities, que se recuperaram em fevereiro respondendo a cortes na produção de petróleo e à reposição de estoques de minério na China, o Ibovespa conseguiu amortecer o impacto da pressão externa negativa. Nesta sexta-feira, Vale subiu 1 por cento, a 26,83 reais. INCERTEZAS Mas essa resistência pode se enfraquecer nas próximas semanas e meses, segundo Ricardo Tadeu Martins, gerente de pesquisa da Planner, com sinais de que a economia mundial está se enfraquecendo cada vez mais. A leitura de que a recessão está se aprofundando ganhou força das duas maiores economias do mundo. Os EUA informaram que o PIB caiu 6,2 por cento no quarto trimestre de 2008, acima da queda inicialmente projetada e a maior retração desde 1982. O Japão anunciou que sua produção industrial teve queda recorde de 10 por cento em janeiro. "Isso vai contaminando o humor dos empresários e investidores, mesmo com a economia de países emergentes tendo um desempenho um pouco melhor", disse Martins. Petrobras caiu 0,45 por cento, para 26,40 reais. As ações de siderúrgicas e de bancos também fecharam o dia no vermelho. (Edição de Daniela Machado)

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

27 de fevereiro de 2009 | 19h14

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