Bancos e financeiras elevam taxas na compra de veículos

Aumentos variam entre 0,05 e 0,10 ponto porcentual ao mês e entram em vigor a partir de hoje

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2010 | 00h00

Bancos e financeiras começam a acenar com elevação dos juros para a compra de veículos, um dia depois de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central ter aumentado em 0,75 ponto porcentual a taxa básica de juros, a Selic, de 8,75% para 9,5% ao ano. Os aumentos nas taxas mensais de juros variam entre 0,05 e 0,10 ponto porcentual ao mês e entram e vigor a partir de hoje.

A BV Financeira, uma das maiores no segmento de veículos, confirmou ontem que elevaria em 0,05 ponto porcentual a taxa mensal do financiamento de veículos a partir de hoje. Segundo a financeira, os juros foram aumentados só para o financiamento de veículos novos. Nos usados, a taxa foi mantida.

De acordo com fontes de mercado, o banco HSBC também estaria elevando os juros de financiamentos de veículos, de 1,29% para 1,39% ao mês. Mas a assessoria de imprensa da instituição informou que as taxas de juros nos financiamentos para pessoas físicas não foram alteradas. O crédito para compra de veículos está incluído nos empréstimos para pessoas físicas.

O primeiro banco a puxar a fila dos aumentos foi o Itaú Unibanco. Na sexta-feira da semana passada, elevou de 1,31% para 1,48% a taxa mensal de juros para veículos. O banco informou que o aumento foi necessário para "adequar" o aumento do custo de captação do dinheiro, já que os empréstimos são de longo prazo e acompanham o desempenho dos juros no mercado futuro, que estão em alta.

"Até segunda-feira, todos os bancos estarão com as tabelas de juros realinhadas", afirma o consultor de varejo automotivo, Ayrton Fontes. Esse realinhamento das taxas representa uma elevação de 0,10 ponto porcentual nos juros mensais. Os novos encargos para compra de veículos a prazo deverão oscilar entre 1,40 e 1,42% ao mês, prevê.

Na ABA Motors, que reúne quatro concessionárias da GM e uma da Honda na cidade de São Paulo, as tabelas de financiamentos já começaram a ser modificadas, informa o presidente da empresa Aba Moshe Lewkowicz. "O Itaú Unibanco foi o primeiro, depois veio a BV", diz o empresário. Para tentar retardar o repasse da alta dos juros e reduzir o impacto nas vendas, ele conta que parou, momentaneamente, de operar com os bancos que elevaram os juros.

Mas, segundo Lewkowicz, dentro de 15 dias o impacto negativo nas vendas será inevitável. É que em meados do mês que vem os estoques de veículos com Imposto sobre Produto Industrializado (IPI) menor deverão ter acabado. Somado a isso, os juros serão maiores.

Nas contas dos concessionários, as novas taxas de juros devem representar uma pequena elevação nas prestações dos veículos. Para um carro cujo preço à vista é de R$ 25 mil, financiado em 60 meses, sem entrada, a prestação, que anteriormente era de R$ 613, sobe para R$ 633, com alta de R$ 20 por mês.

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