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Bancos e líderes globais minimizam crise em Dubai

Bancos fora do Golfo Pérsico minimizaram nesta sexta-feira sua exposição à dívida de Dubai, após temores de uma moratória terem sacudido os mercados globais, e líderes europeus disseram que a economia mundial está agora forte o suficiente para enfrentar esse problema.

RANIA OTEIFY E SUJATA RAO, REUTERS

27 de novembro de 2009 | 16h08

Ações de Tóquio a Londres foram abatidas por preocupações de que os bancos estejam expostos a companhias estatais de Dubai, cuja transformação de um isolado deserto a um centro de negócios na região que mais exporta petróleo no mundo atraiu investimentos estrangeiros e executivos.

A crise começou na quarta-feira, quando Dubai, integrante dos Emirados Árabes Unidos, pediu para adiar o pagamento de bilhões de dólares em dívidas do conglomerado Dubai World e da Nakheel, sua principal subsidiária e incorporadora de três ilhas em formato de palmeira que já atraíram celebridades e milionários.

"Embora seja um revés, acho que isso não possui a escala dos problemas anteriores com que lidamos", afirmou a jornalistas o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown. "O sistema financeiro mundial está agora mais forte e capaz de lidar com os problemas que surgem."

O primeiro-ministro francês, François Fillon, disse que há recursos suficientes na região do Golfo para garantir que não haja um segundo surto da crise financeira, mas o premiê russo, Vladimir Putin, afirmou que a história mostra que será difícil para o mundo deixar a crise financeira que já dura dois anos.

A Dubai World possui 59 bilhões de dólares em dívidas, quase o débito total de Dubai, que é de 80 bilhões de dólares. A exposição de bancos internacionais à Dubai pode chegar a 12 bilhões de dólares em empréstimos sindicalizados e bilaterais, disseram à Thomson Reuters LPC fontes bancárias.

Mas os números parecem insignificantes em comparação aos 2,8 trilhões de dólares de baixas contábeis que instituições dos Estados Unidos e da Europa terão registrado entre 2007 e 2010 como resultado da crise global de crédito, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Bancos franceses disseram que sua exposição à crise de Dubai é limitada, enquanto o banco central italiano afirmou que os bancos do país não devem enfrentar problemas ligados ao comércio e turismo com as nações do Golfo Pérsico.

EXPOSIÇÃO DE ABU DHABI

Já os concessores de empréstimo de Abu Dhabi, outro membro dos Emirados Árabes Unidos, parece correr mais risco.

O Abu Dhabi Commercial Bank tem uma exposição de pelo menos 2,2 bilhões a 2,5 bilhões de dólares à Dubai World e entidades relacionadas, forçando o banco a registrar mais provisões, disse um executivo sênior da instituição. O First Gulf Bank possui uma exposição de no mínimo 1,4 bilhão de dólares.

O JP Morgan afirmou que está menos preocupado com a exposição direta de bancos globais à dívida da Dubai World e que não está receoso com Abu Dhabi, que possui centenas de bilhões de dólares em caixa.

Os custos para segurar a dívida do Golfo aumentaram nesta sexta-feira. As operações de credit default swaps (CDS) para Dubai subiram mais de 100 pontos-básicos, mas estão bem abaixo do pico atingido no final do ano passado e no início de 2009, em meio à crise global.

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