Bancos elevam previsão do IPCA e do PIB em 2008

Febraban altera projeção da inflação oficial de 4,75% para 5,76%; estimativa do PIB também é revisada para cima

Carolina Ruhman, da Agência Estado,

17 de junho de 2008 | 12h44

A pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) sobre projeções e expectativas do mercado financeiro, divulgada nesta terça-feira, 17, continuou a consolidar a deterioração das previsões de inflação para este ano e para o próximo. As médias das projeções das 33 instituições financeiras ouvidas para a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2008 subiu de 4,75% para 5,76% e, para 2009, de 4,35% para 4,7%, furando pela primeira vez no ano o centro da meta de 4,5% estabelecia pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Os bancos também revisaram para cima suas expectativas de crescimento da economia para este ano de 4,66% para 4,78%.  Veja também:Entenda a crise dos alimentos  Entenda os principais índices de inflação   O levantamento revelou que os bancos estão menos otimistas quanto ao consumo das famílias. A média das projeções foi revisada em baixa, de 6,06% para 5,99%. Já os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) devem crescer 11,72%, taxa superior à estimativa anterior, de 11,15%.Para 2009, as instituições financeiras reduziram sua projeção de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) apenas de forma moderada, de 4,19% para 4,18%.  "Já existe uma preocupação em relação à inflação e ao impacto disso no orçamento familiar e como isso afeta o consumo das famílias daqui para frente", ressaltou o economista chefe da Febraban, Nicola Tingas. Entretanto, o lado positivo é a expansão dos investimentos. "O investimento está crescendo, e isso faz com que a gente tenha uma manutenção do nível de emprego e renda", disse. As estimativas para o IGPM, por sua vez, voltaram a disparar nessa pesquisa, feita entre os dias 12 e 13 de junho. Para esta ano, a previsão para o crescimento do índice foi revisada em alta de 6,12% para 9,13%. Para o ano que vem, a estimativa avançou de 4,53% para 5,23%. O economista chefe da Febraban, Nicola Tingas, citou que nenhum banco prevê que a inflação supere o teto da meta do BC, de 6,5%. Segundo o economista, o fato de a inflação ser causada também por um choque de oferta justifica que se trabalhe com a inflação até o teto da meta. "Você aceita uma inflação mais próxima do teto da meta porque você não tem muito o que fazer", explicou.Para ele, a velocidade da aceleração das expectativas foi "muito forte" e "surpreendeu a todos". Entretanto, ele ressalta que "ninguém está falando de um choque de juros", chamando atenção para o trabalho gradual da autoridade monetária de elevar a taxa básica de juros, a Selic.JurosA pesquisa da Febraban mostrou que os bancos esperam que o ciclo de aperto monetário iniciado pelo BC em abril leve a Selic para o patamar de 14,25% ao ano no fim de 2008, em um aumento total de três pontos porcentuais. De acordo com Nicola Tingas, os analistas prevêem altas sucessivas de 0,50 ponto porcentual para as próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom). Entretanto, o teto das projeções para o fim do ano já inclui a aposta de que os juros cheguem a 14,50% ao ano. No ano que vem, os bancos esperam uma reversão dos juros e acreditam que a taxa pode voltar a cair até 12,50% ao ano.  Crédito  A pesquisa mostra que os bancos revisaram em alta suas estimativas de crescimento das operações de crédito para este ano de 22,04% para 22,91%. O levantamento destaca a expansão das operações para pessoa física, cujas estimativas de crescimento para 2008 avançaram de 24,89% para 26,67%. Já as estimativas de crédito para pessoa jurídica foram de 23,87% para 25,39%. Para 2009, entretanto, a pesquisa aponta para a desaceleração na concessão de crédito. A média das estimativas das instituições financeiras foram revisadas em baixa de 19,92% para 17,40%. Esse movimento foi influenciado principalmente pelas previsões de crédito para pessoa física, que recuaram de 24% para 23,25%. Já as estimativas de crescimento do crédito para pessoa jurídica ficaram estáveis em 20,88%.  Contas externas   Com relação às contas externas, a projeção média para as importações foi revisada em baixa, de US$ 155,79 bilhões para US$ 148,60 bilhões. Já a estimativas para as exportações para este ano cresceram de US$ 180,26 bilhões para US$ 181,03 bilhões. Desta forma, a expectativa para o superávit comercial avançou para US$ 32,42 bilhões, de US$ 24,48 bilhões no levantamento anterior. Entretanto, a previsão para as transações correntes votaram a se deteriorar. A previsão dos bancos de déficit para este ano avançou de US$ 10,93 bilhões para US$ 14,48 bilhões. Para 2009, as projeções para o superávit da balança comercial subiram de US$ 18,70 bilhões para US$ 27,76 bilhões, enquanto as estimativas para o déficit em transações correntes foi de US$ 19,17 bilhões para US$ 20,78 bilhões. 

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