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Bancos eliminam 2,2 mil vagas em seis meses

Os bancos fecharam 2.224 postos de trabalho no primeiro semestre de 2009, além de usar a rotatividade da mão de obra para reduzir a média salarial dos bancários. As informações são de um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).De janeiro a junho foram demitidos 15.459 bancários e contratados 13.235. Nada menos que 87% do saldo negativo (1.925 postos) estão concentrados no Estado de São Paulo, sede da maioria dos bancos privados.Para os sindicalistas, esse é um indício forte de que o fechamento de postos de trabalho se deve principalmente aos processos de fusão do Itaú Unibanco e do Santander Real. O levantamento sobre a evolução do emprego nos bancos toma por base dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. A categoria está em campanha salarial. Segundo o estudo, as demissões atingiram principalmente a área administrativa, que concentra os maiores salários. Já as admissões ocorreram nos cargos inicias da carreira. Os demitidos no primeiro semestre recebiam em média R$ 3.627, enquanto os contratados ganham em média R$1.928, o que representa uma diferença de 46,82%; quase a metade da remuneração dos dispensados."As empresas financeiras estão reduzindo custos com o fechamento de postos de trabalho e ainda com a alta rotatividade da mão de obra, demitindo bancários com salários mais altos e contratando funcionários com remuneração interior", afirmou o presidente da Contraf-Cut, Carlos Cordeiro.A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) disse, por meio de nota, que o número de vagas fechadas apontado pela Contraf-CUT - 2.224 - não tem nenhum significado diante de um quadro de 450 mil postos, cuja média de permanência é de 13 anos no mesmo emprego.Além disso, a entidade ressaltou que "o setor bancário detém a menor taxa de rotatividade do mercado de trabalho brasileiro, algo entre 7% e 8%, quando a rotatividade média é de 33%, chegando a 120% em alguns setores.""Os bancos estão na contramão do movimento que a economia brasileira está seguindo", afirmou Cordeiro. "Enquanto os demais setores econômicos criaram 300 mil postos de trabalho no primeiro semestre, os bancos, que não sofreram nenhum impacto com a crise, estão fazendo o contrário."Cordeiro estima que o fechamento de vagas no setor financeiro continuará por um período de um ano, quando deverão ser concluídos os processos de fusão em andamento. Ao lado do aumento real de salários de 5% além da inflação, a manutenção dos empregos é um dos principais itens da pauta da campanha salarial deste ano.

Marcelo Rehder, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

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