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Bancos emprestam de menos para o meu gosto, diz Mantega

Ele volta a pressionar instituições por juros baixos; ministro diz que inadimplência é normal nos primeiros meses

Adriane Fernandes, da Agência Estado

26 de fevereiro de 2009 | 16h37

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a fazer pressão para que os bancos no Brasil reduzam as taxas de juros cobradas nos empréstimos a seus clientes e ofereçam mais crédito. "Os bancos estão emprestando de menos para o meu gosto", disse o ministro. Segundo ele, as instituições financeiras poderiam estar emprestando mais e reduzindo mais as taxas de juros do que "estão aí".  Veja Também:As medidas do empregoDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Ele ponderou que as previsões pessimistas de aumento de inadimplência acabam levando os bancos a fazerem provisões maiores de prevenção. Ao final, disse o ministro, a inadimplência acaba sendo menor que a prevista, mas aí eles já cobraram um spread mais elevado por conta dessas previsões. As afirmações foram feitas nesta quinta-feira, 26,   quando Mantega chegou ao prédio do Ministério da Fazenda. O ministro tem feito reiteradas críticas aos spreads e à taxa de juros cobrados pelos bancos brasileiros. Ele falou também que o aumento da taxa de inadimplência, divulgado hoje pelo Banco Central, não significa nenhuma deterioração "importante" da economia brasileira. Na sua avaliação, é normal que, nos meses de janeiro e fevereiro, haja uma elevação da inadimplência por conta dos inúmeros vencimentos que ocorrem no período, como IPTU, IPVA e outros compromissos.  PIB O ministro da Fazenda  afirmou não acredita nas previsões pessimistas de queda do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2009 por causa do impacto da crise financeira internacional. Mantega  comentou previsão da empresa de consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) de uma queda de 0,5% do PIB do Brasil para o próximo ano. O ministro afirmou que continua acreditando que o País terá um crescimento positivo em 2009. Ele evitou, porém, fazer previsões para o índice de crescimento da economia brasileira. "Vamos deixar o ano avançar um pouco, estamos no primeiro trimestre", disse. Questionado se não teria mudado de posição, já que, em outras ocasiões, sempre se mostrou confiante ao apresentar a estimativa de crescimento de 4% para 2009, respondeu, rápido: Eu tenho repetido várias vezes que crescimento de 4% não é mera previsão de economista, é uma meta a ser alcançada a partir de um trabalho do governo." Mantega admitiu, no entanto, que um crescimento de 4% depende de outros condicionantes, como as medidas do governo dos Estados Unidos contra a crise. "Estamos esperando que os americanos consigam dar uma solução para a crise financeira, que até agora não teve uma solução, e o encaminhamento dos problemas que eles criaram." O ministro da Fazenda avaliou que as previsões pessimistas para a economia brasileira refletem mais o cenário internacional, que indicam queda do PIB nos Estados Unidos e na Europa. Na avaliação de Mantega, a situação da economia brasileira é bem melhor do que a deles. Segundo ele, há setores no Brasil que sequer desaqueceram e outros que tiveram redução muito pequena.  

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