Bancos espanhóis precisam de 62 bi

Valor é inferior aos 100 bi que já foram solicitados pela Espanha; Mariano Rajoy deve pedir resgate oficial na próxima segunda-feira

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h10

Os bancos espanhóis precisarão de até 62 bilhões para serem resgatados e o governo de Mariano Rajoy promete pedir oficialmente na segunda-feira o socorro para a Europa, na esperança de acalmar os mercados.

Há quase duas semanas, a União Europeia e Madri anunciaram um acordo pelo qual Bruxelas estaria disposta a dar um resgate ao país de até 100 bilhões. Mas o governo de Rajoy tenta reduzir o impacto político do resgate. Enquanto ganha tempo e adia o socorro, o mercado pune o país. O Tesouro espanhol foi obrigado a pagar a maior taxa de juros desde 1997 pela emissão de menos de 1 bilhão em títulos da dívida. Nesta semana, o risco país da Espanha bateu seu recorde em várias ocasiões.

Ontem, o governo espanhol "comemorou" que o valor fosse inferior aos 100 bilhões. Ao invés de realizar a solicitação hoje, na reunião de ministros de Finanças da zona do euro, vai esperar até segunda-feira, mais uma vez ganhando tempo.

A avaliação do tamanho do buraco dos bancos foi feita por auditores independentes contratados por Madri e o cálculo servirá para que a Espanha peça o resgate ao país. O que não se sabe ainda é de onde virá esse dinheiro e se a Alemanha acatará a proposta de que os bancos sejam financiados diretamente, sem que o resgate tenha de passar por governos com a imposição de condições.

Segundo as consultorias Oliver Wyman e Roland Berger, os bancos espanhóis precisariam de uma recapitalização de 51 bilhões a 62 bilhões. O colapso da bolha imobiliária espanhola deixou os bancos atolados com imóveis e ativos tóxicos e o estado espanhol foi obrigado a resgatar várias instituições, sob o risco de ser engolido pela crise.

O levantamento indica que bancos como Bankia, CatalunyaCaixa, Novacaixagalicia e Banco de Valencia terão de ser resgatados. Já os três maiores bancos - Santander, BBVA e Caixabank - não precisariam ter uma nova injeção de capital. "A necessidade de capital é inferior ao acordo com a UE e da confiança aos mercados", indicou Fernando Restoy, vice-governador do BC espanhol.

Incertezas. Mas nem o anúncio de que o resgate seria pedido no começo da semana trouxe tranquilidade para os mercados. Isso porque o levantamento é só a primeira parte de um projeto que ficará pronto apenas em setembro, adiando ainda mais as dúvidas do mercado.

O ministro da Economia, Luis de Guindos, garantiu ao presidente do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, que Madri formalizará seu pedido de resgate na segunda-feira.

Juncker voltou a apelar para que Madri faça o pedido "de forma urgente", na esperança de acalmar investidores.

Outro fator que não ajuda é a indefinição de Bruxelas sobre como a ajuda será dada. Ontem, na reunião de ministros de Finanças do bloco, mais uma vez ficou claro o embate entre países que querem que o fundo de resgate europeu seja usado por bancos e aqueles que são contrários. A Itália, temendo um contágio da crise espanhola, também insiste que o fundo de resgate europeu seja usado para intervir no mercado da dívida, algo que Berlim rejeita.

A situação espanhola e o funcionamento do pacto fiscal europeu estarão no centro das atenções hoje em Roma, quando Angela Merkel, Mariano Rajoy, Mario Monti e François Hollande debaterão a situação no continente.

Estabilidade. A meta dos europeus é de declarar na cúpula da semana que vem que o Mecanismo de Estabilidade Europeia entrará em operação no dia 9 de julho, com cerca de 500 bilhões. Mas muitos já duvidam de que o prazo será respeitado.

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