Bancos estrangeiros reduzem previsão da Selic para 13,75%

Analistas do mercado financeiro internacional consideram o resultado do PIB no segundo trimestre - que no geral ficou no piso de suas expectativas - como um elemento chave para explicar a decisão do Copom de cortar 0,5 ponto percentual da Selic, contrariando as expectativas de mercado de uma redução de apenas 0,25 pp. Segundo eles, o lento ritmo de atividade e os números inflacionários positivos permitiram ao Banco Central manter o ritmo de relaxamento monetário, mesmo após ter afirmado no mês passado que agiria com "mais parcimônia".Diante desse novo cenário, as atenções se voltam agora para a ata da reunião do Copom, que será divulgada na próxima quinta-feira. Mas alguns bancos estrangeiros, como o Goldman Sachs, Merrill Lynch e Dresdner Kleinwort já reduziram nesta quinta-feira sua aposta para a Selic no final deste ano de 14% para 13, 75%. Ou seja, prevêem mais dois cortes de 0,25 pp na taxa de juros nas duas reuniões restantes do Copom neste ano.Mesmo antes da divulgação do PIB, a economista Flavia Cattan-Naslausky, do Royal Bank of Scotland, já previa que o inesperado corte de 0,50 ponto percentual na Selic poderia sinalizar um crescimento no segundo trimestre menor do que o esperado pelos mercados. "Como a perspectiva inflacionária continua muito benigna, podemos inferir que a perspectiva de fraco crescimento está requerendo maior consideração e, por causa disso, há um considerável risco baixista para o resultado do PIB no segundo trimestre´, disse a analista, pouco antes da divulgação do dado.O economista sênior do banco Dresdner Kleinwort (DKIB) reduziu sua previsão para a Selic no final de 2006 de 14% para 13,75%. "O corte de 0,50 pp é uma clara indicação de que o BC está muito confiante com a perspectiva para a inflação e que o ciclo de relaxamento monetário ainda tem mais espaço para avançar", disse Camara. Segundo ele, o corte inesperado na Selic significa que os mercados terão agora de reavaliar a magnitude do próximo passo do BC, como também quando o ciclo de relaxamento monetário será encerrado. "Por isso, a ata desta reunião do Copom será, mais do que nunca, monitorada atentamente", disse Camara. "Mas acreditamos que o BC deverá aumentar a retórica, fazendo uma referência explícita para a necessidade de se reduzir o ritmo do relaxamento nos juros daqui em diante." Entretanto, segundo ele, o BC não deverá sinalizar na ata que o ciclo de relaxamento está próximo de seu final. "Se as autoridades monetárias pensassem assim, elas teriam decidido corta a Selic em 0,25 pp neste mês", disse. O banco Goldman Sachs também aposta numa Selic de 13,75% no final deste ano. "Decidimos incorporar na nossa previsão o corte maior neste mês e acreditamos que mais dois cortes de 0,25 pp acontecerão nas duas reuniões do Copom que restam neste ano", disse o economista Alberto Ramos, do banco de investimentos norte-americano. Segundo ele, os recentes indicadores de atividade econômica e de queda inflacionária estão permitindo que o BC antecipe parte da carga de relaxamento monetário que deveria somente acontecer no primeiro semestre de 2007. "A partir de agora, deverá haver uma ligeira recuperação na demanda durante o segundo semestre, crédito abundante e moderada criação de empregos", disse Ramos. "No geral, o crescimento do PIB neste ano deverá ficar na vizinhança dos 3,5%, com o risco que seja menor que isso." Com isso, observou , o Brasil acumulará crescimento inferior ao dos países qualificados como BRIC, ou seja, emergentes com grande potencial de expansão econômica. "Uma extremamente elevada carga tributária para um país com esse nível de desenvolvimento, uma dívida pública ainda muito alta, além de barreiras microeconômicas, continuam evitando que o crescimento do Brasil atinja seu potencial e se acelere numa base sustentável para um novo patamar, entre 5% e 7% ao ano."

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