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''Bancos estrangeiros são ameaça''

Para Meirelles, instabilidade financeira pode afetar recuperação no Brasil; Lula defende nacionalização nos EUA

Lu Aiko Otta, Vera Rosa, Leonêncio Nossa, Tânia Monteiro e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

19 de fevereiro de 2009 | 00h00

A frágil situação dos bancos estrangeiros, ainda sem solução, pode provocar "surtos de instabilidade" no cenário mundial e atrapalhar o incipiente processo de recuperação da economia brasileira. O alerta foi feito ontem pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante a primeira reunião do ano do Conselho Político, formado por representantes de 14 partidos da base aliada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que os Estados Unidos deveriam estatizar temporariamente os bancos em dificuldades, em vez de apenas injetar dinheiro. Lula não está sozinho. A mesma proposta vem sendo defendida pelo ex-presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Alan Greenspan e pelo Nobel de economia Paul Krugman. Os desafios do presidente dos EUA, Barack Obama, são o centro das preocupações de Lula. "Rezo todo dia mais para o Obama do que para mim. Se metade das rezas que faço para ele fizessem para mim, eu já teria virado santo", brincou. O presidente também se mostrou apreensivo com a situação da China, que depende fortemente das exportações para os países mais afetados pela crise. Meirelles e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, exibiram dados que indicam melhora na economia brasileira em relação ao pior momento da crise. O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), disse que tanto Meirelles quanto Mantega mostraram que o volume de crédito no mercado interno atingiu US$ 620 bilhões e retornou aos níveis de setembro, por causa da atuação forte dos bancos públicos e de grandes instituições privadas. E os volumes estocados na indústria, inclusive automobilística, caíram - o que indica melhora no desempenho das vendas. Os dados permitiram a Mantega descartar o risco de recessão técnica no Brasil, segundo informou o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (RS). A recessão técnica ocorre quando o Produto Interno Bruto (PIB) cai por dois trimestres seguidos. Apesar de Lula avaliar que o Brasil foi o último a sentir os efeitos da crise, é o mais bem preparado para enfrentá-la e será o primeiro a sair dela, a atuação do governo foi criticada. "Houve atraso na queda da Selic", afirmou Mercadante. Foi apoiado pelo presidente do PC do B, Renato Rabelo. O presidente do BC repetiu a tese que o problema não é o juro básico, mas o custo total do crédito. Ele e Mantega defenderam a aprovação do Cadastro Positivo, medida que ajudaria a reduzir a taxa de risco embutida no juro cobrado do cliente. Lula afirmou que a crise é uma oportunidade para o Brasil assumir um papel de maior relevância no cenário internacional. Argumentou que desde a crise de 1929, a agenda econômica é ditada pelos países desenvolvidos. "Hoje já não pode ser assim", observou, ao lembrar que as economias centrais são as mais afetadas. Esse deverá ser um dos tópicos da conversa que ele terá com Barack Obama no dia 17 de março, em Washington. Outro tema que Lula pretende abordar é o risco do protecionismo. "Não se sai da crise fechando a porteira", comentou.

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