Bancos estrangeiros têm espaço no País, diz associação

Há espaço para que os bancos estrangeiros voltem a ter cerca de 40% do total de ativos do sistema financeiro nacional, defende a presidente da Associação Brasileira de Bancos Internacionais (ABBI), Deborah Vieitas. Ela diz, porém, que esse cenário só se concretizará com o aumento da participação dos bancos de fora no varejo bancário brasileiro. Hoje, os dois bancos que mais se destacam nesse segmento são o espanhol Santander e o inglês HSBC - quinto e sexto lugar, respectivamente.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2014 | 02h05

"Esse é um grande desafio em termos de escala. A evolução da atividade financeira na utilização de meios eletrônicos poderia oferecer novas oportunidades", defende Deborah. A quase centena de instituições que fazem parte da ABBI detêm atualmente cerca de 20% dos ativos do sistema financeiro nacional. De acordo com dados do Banco Central (BC), as instituições estrangeiras terminaram 2013 responsáveis por 15,5% das operações de crédito do País.

Deborah, que também preside a filial no Brasil do português Banco Caixa Geral, afirma que são bem-vindas iniciativas para simplificar e acelerar o processo de autorizações para a entrada de instituições estrangeiras no mercado brasileiro. Ela diz que o órgão regulador tem feito um "esforço considerável de racionalização" das exigências, mas é preciso também que seja seguido por outras instâncias do governo federal.

Iniciativa. O programa Otimiza BC, lançado em fevereiro do ano passado com o objetivo de reduzir os custos de observância de regras por bancos no Brasil, foi, segundo Deborah, uma boa iniciativa nesse sentido. A autoridade reguladora dispensou, por exemplo, bancos estrangeiros que não têm capital aberto no País da obrigação de publicar balanços trimestrais.

Para a ABBI, o ingresso de instituições de fora no mercado brasileiro propicia novos modelos de negócios, produtos e serviços. Um exemplo foi a introdução no mercado brasileiro, em janeiro, do Certificado de Operações Estruturadas (COE) - título híbrido, que combina renda fixa com renda variável. Esse certificado é uma versão brasileira das notas estruturadas, muito populares no exterior.

"Hoje já é incontestável a importância dos investidores estrangeiros para o desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro, sobretudo na renda variável e diversas medidas em discussão poderão aumentar ainda mais a participação no segmento da renda fixa local", diz Deborah.

Segundo ela, a atratividade do País se explica porque poucos emergentes reúnem as mesmas condições do Brasil: mercado de consumidores amplo, embora a metade ainda não tenha acesso a todos os serviços e produtos financeiros, democracia estável e ambiente regulatório alinhado com a prática internacional. / M.R.A.

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