Thiago Amaral/Estadão
Thiago Amaral/Estadão

Bancos estudam formas de amenizar os problemas

BB afirma que investe em tecnologias para manutenção do dinheiro e Bradesco quer intensificar uso de cartões nos locais

Fernando Nakagawa, enviado especial, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 05h00

SÃO MIGUEL DO TAPUIO (PI) E CRATEÚS (CE) - O Banco do Brasil e o Bradesco são as duas instituições financeiras com maior rede de atendimento no interior do Brasil e, por isso, estão mais expostas à onda de ataques. Os dois bancos informaram que estudam maneiras de amenizar os problemas causados pela falta de dinheiro nas pequenas cidades.

Em nota, o BB diz que “lamenta transtornos provocados em praças onde suas agências são alvo constante de explosões e arrombamentos”. O banco não informou o número de postos de atendimento (PA) que operam sem dinheiro, mas diz que investe em tecnologias para “manutenção da circulação de numerário nas cidades”.

O BB informa ainda que trabalha com a polícia para “combater o crime organizado e propiciar condições de funcionamento de agências”. A preocupação, cita a nota, é não pôr em risco a segurança da população e empregados.

Já o Bradesco informou que “iniciou período de avaliação da sua política de fluxo de recursos em alguns postos”. Atualmente, o banco tem cerca de 4,8 mil PAs e cerca de 1% está sendo avaliado sobre o funcionamento sem dinheiro. “O objetivo é oferecer nossa contribuição para preservar condições de segurança dessas comunidades”, diz o banco.

Em nota, o Bradesco avalia como “inadmissíveis as consequências sociais da violência causada pelos ataques”. Para tentar contornar o problema, o banco quer intensificar o uso dos cartões nessas cidades. “Uma alternativa viável e de rápida implementação”, cita a nota.

O diretor de clientes e canais da Caixa Econômica Federal, Julio Volpp, disse que o sistema usado para gerenciamento das lotéricas analisa qualquer necessidade de numerário e, por isso, não deveria ocorrer falta de dinheiro, como visto na lotérica de São Miguel do Tapuio (PI). “Pedirei averiguação desse caso. Nosso trabalho é não permitir que isso aconteça”.

O executivo explicou que o custo do envio de dinheiro da transportadora de valores até a lotérica é custeado pelo próprio agente lotérico. A Caixa tem um grupo de parceiros com transporte de valores subsidiado, mas o programa beneficia apenas as lotéricas mais movimentadas das grandes cidades.

A Federação Brasileira dos Bancos informou que o setor investe cerca de R$ 9 bilhões em segurança anualmente, o triplo do investido há dez anos. Já o Banco Central se limitou a dizer que não tem informações sobre o número de postos de atendimento sem dinheiro.

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