Bancos europeus ainda vão enfrentar pressão, diz BCE

Os maiores bancos da zona do euro devem enfrentar "mais apertos nos lucros" e sofrer pressões para diminuir a alavancagem e o risco de seus balanços "por um período prolongado", afirmou o Banco Central Europeu (BCE) em seu relatório semestral de estabilidade financeira. Segundo o BCE, o que determinará se o progresso observado nos balanços dos bancos durante o primeiro trimestre será sustentável no decorrer de 2009 será a capacidade das instituições financeiras para "conter as baixas contábeis e, ao mesmo tempo, avançar na redução dos riscos de seus respectivos balanços".

GUSTAVO NICOLETTA, Agencia Estado

15 de junho de 2009 | 13h40

O banco central afirmou que há poucas evidências de que o ritmo de baixas contábeis relacionadas à crise financeira diminuiu, apontando a deterioração do ambiente macroeconômico no primeiro trimestre, o desaquecimento da economia e a perspectiva de mais problemas econômicos para a maior parte dos 16 países da zona do euro. Esses fatores, juntamente com os lucros mais baixos, devem pesar sobre as reservas de capital dos grandes bancos. Embora o nível de capital destas instituições cumpra os requisitos mínimos, elas podem precisar levantar recursos para satisfazer as exigências dos investidores, acrescentou o BCE.

O relatório apontava ainda que os bancos da zona do euro correm o risco de perder US$ 283 bilhões com a crise até o final de 2010, principalmente devido a prejuízos relacionados a empréstimos. "Estas perdas teriam de ser compensadas por provisões adicionais e pela retenção de lucro ao longo dos próximos dois anos". "(Mecanismos) mais elaborados para compensar o risco dos títulos e determinar o preço dos empréstimos, assim como cortes de custos e uma reelaboração dos modelos de negócio, podem ser necessários para restaurar a estabilidade do lucro e o crescimento orgânico do capital", afirmou o BCE. As informações são da Dow Jones.

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