Bancos europeus correm risco de falência, admite autoridade francesa

Para o presidente da Autoridade dos Mercados Financeiros, até 20 instituições no continente necessitam de injeção urgente de capital

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h08

Os desmentidos de presidentes e primeiros-ministros da Europa sobre a solidez dos bancos do bloco eram mesmo cortina de fumaça. Segundo a Autoridade dos Mercados Financeiros (AMF) da França, o sistema financeiro europeu enfrenta um risco sistêmico de falência e precisa com urgência de recapitalização. Para contornar o problema, Bruxelas estuda antecipar a reforma no capital das nove instituições reprovadas nos testes de estresse realizados em julho.

A admissão da gravidade da crise pelo presidente da AMF, Jean-Pierre Jouyet, confirma as análises que já haviam sido feitas há 15 dias pela diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, e pelo economista-chefe da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, Pier Carlo Padoan. Desde então, foram objeto de críticas e desmentidos por líderes políticos da Alemanha e da França e por banqueiros, que reclamaram de uma escalada da especulação nas bolsas de valores.

O Banco Central Europeu (BCE) está fornecendo aproximadamente € 550 bilhões em liquidez aos bancos e possui € 1,8 trilhão de colateral em seu balanço, segundo Trichet. Ele acrescentou que o BCE pode mobilizar até € 5 trilhões em colateral adicional. "O que estamos vendo agora é o exemplo de um fenômeno mundial, a crise global de risco soberano", disse Trichet.

Capitalização. Segundo Jouyet, até 20 instituições podem precisar da injeção de capital, privada ou pública. "Há problemas de capitalização dos bancos na Europa. São 15 a 20 bancos que devem ser recapitalizados", disse o executivo, sem revelar nomes e garantindo que a prioridade é a busca de capital privado.

Para Jouyet, a conjuntura econômica global "é muito preocupante". "Nós estamos em um contexto de crise. E diante de nós está um risco de crise sistêmica." Para o executivo, além do risco de falência de bancos - abalados pela eventual moratória de países em crise de dívidas soberanas, como Grécia e Portugal -, uma ameaça de forte recessão paira sobre a economia mundial, potencialmente mais forte que a de 2008, quando o problema principal era o endividamento privado. À turbulência na Europa, diz Jouyet, se somariam um forte endividamento do Japão e os desequilíbrios fiscais dos Estados Unidos.

Preocupada com a situação, segundo o Financial Times, a União Europeia já está discutindo a aceleração das operações de recapitalização de nove bancos que foram reprovados e dos 16 aprovados com ressalvas nos testes de estresse supervisionados pelo BCE em junho. A informação, porém, foi desmentida no fim da tarde pelo porta voz da Comissão Europeia, Olivier Bailly. .

Ontem, as bolsas de valores do bloco tiveram um dia de altas moderadas, estimuladas pelas ações das instituições bancárias. Londres fechou próximo do estável (0,2%), Frankfurt subiu pouco (0,5%) e Paris teve uma alta mais acentuada (1,02%). No balanço da semana, porém, o resultado é duro: perdas de 7,2% na bolsa de Paris, 6,9% em Frakfurt e 5,8% em Londres. Entre as ações de bancos, a gangorra continua. Depois de fortes quedas, os franceses BNP Paribas e Société Général ganharam 9,8% e 8,8%, respectivamente. BVA e Santander subira 4,8% e 4,6% em Madri, enquanto Lloyds e Barclays ganharam 5% em Londres / COM DOW JONES NEWSWIRES.

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