Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Selic a 2%

Rentabilidade real da poupança entra no negativo. E-Investidor aponta alternativas

Bancos fizeram alerta ao BC sobre cronograma 'apertado' do PIX, previsto para novembro

Instituições citam a pandemia e a proximidade de datas como Natal e Black Friday como riscos operacionais ao sistema; empresas falaram que foram obrigadas pelo BC a aderir ao PIX

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2020 | 19h13

Antes mesmo do anúncio da solução do WhatsApp, temporariamente suspensa, os bancos teriam alertado o Banco Central sobre o cronograma 'apertado' do seu sistema de pagamentos instantâneos, o PIX, previsto para começar a operar em 16 de novembro, apurou o Estadão/Broadcast. A preocupação das instituições está calcada, sobretudo, nos riscos operacionais de combinar o início da funcionalidade com a pandemia do novo coronavírus, o fim do ano e ainda a Black Friday, datas importantes para o varejo brasileiro, principalmente, no cenário atual.

Em uma tentativa de convencer o BC de mudar a data de lançamento do PIX, os bancos, representados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), teriam enviado uma carta confidencial ao órgão regulador há cerca de um mês. O alerta foi acompanhado por empresas do setor de cartões via a Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

"O alerta e a preocupação é real, mas o BC ainda não se manifestou a respeito", diz uma fonte, a par da implementação do PIX. "Apenas informamos que tem muitos projetos na pauta. Mas não vão alterar a data", acrescenta outra, na condição de anonimato.

O cronograma do PIX voltou aos holofotes após o WhatsApp lançar uma solução de envio e recebimento de dinheiro em parceria com instituições locais. A novidade teria incomodado o BC, que viu na funcionalidade um potencial concorrente antes da hora para o seu sistema, e acabou por suspendê-la. Também teria pesado na visão do regulador, dizem fontes, a pressão de grandes bancos e outros nomes do setor de pagamentos digitais contra o desembarque da bigtech no setor, sob a justificativa de riscos de competitividade e segurança de dados.

Concorrência

A suspensão do WhatsApp foi interpretada por alguns agentes do mercado como uma forma de o BC 'ganhar tempo' junto ao PIX. Nos bastidores, levantou-se a possibilidade de o lançamento do sistema, ou ao menos parte dele, ser adiantado para setembro em vez de novembro, conforme noticiou o Estadão/Broadcast, na semana passada.

A mudança, contudo, foi recebida com espanto por alguns participantes do PIX por conta do prazo já considerado apertado. "A situação de lançamento em novembro é bem desafiadora. Agora, acho tarde demais para alterar a data, pois isso acarretaria uma assimetria de quem já está na frente em relação a outros que estão se programando só para novembro", diz um executivo, na condição de anonimato.

Diante do burburinho, o BC correu para negar eventual mudança. O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do órgão regulador, João Manoel Pinho de Melo, afirmou, em uma live, na semana passada, que a data está mantida. "O Banco Central não altera data. É a data que nós temos", disse ele, na ocasião.

O próprio diretor do BC foi quem teria sugerido, ainda em março, antecipar o lançamento do PIX. No entanto, com a pandemia, ele recuou, relembra uma fonte.

Adesão forçada

O PIX já atraiu 980 interessados, conforme o BC. O prazo para solicitar a adesão ao sistema terminou no início de junho. O cadastro é facultativo. No entanto, todas as instituições financeiras e de pagamento com mais de 500 mil contas de clientes ativas foram obrigadas a aderirem. Uma nova janela para interessados será liberada pelo órgão regulador em dezembro deste ano.

Hoje, o presidente da Cielo, Paulo Caffarelli, afirmou que uma decisão quanto à antecipação do início do PIX depende do Banco Central e que a companhia, parceira do WhatsApp na nova solução, irá se adaptar caso isso ocorra. "Tudo indica que o PIX será lançado em novembro", disse ele, durante live, na manhã de hoje.

O executivo reforçou ainda a informação já anunciada pelo WhatsApp, pertencente ao Facebook, de que a solução de pagamentos do aplicativo, por ora suspensa, também deve aderir ao PIX, conforme antecipou o Estadão/Broadcast, na semana passada. Segundo ele, o Sistem do BC será a 'grande área' de pagamentos. "O WhatsApp é um pagamento a mais e já foi declarado que ele será integrado ao PIX", acrescentou.

Procurado, o BC não comentou. A Febraban também não se manifestou até o fechamento da matéria. A Abecs confirmou o envio da carta ao regulador e explicou que os associados apenas manifestaram algumas preocupações em relação à implementação do PIX, mas que não discutiram a questão do prazo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.