Bancos franceses concordam com rolagem da dívida grega

A França ofereceu na segunda-feira uma solução radical para que os bancos rolem por 30 anos seus títulos da dívida grega, enquanto o governo grego tenta convencer parlamentares rebeldes a aprovarem um pacote de austeridade que evite uma moratória.

HARRY PA, REUTERS

27 de junho de 2011 | 18h41

Diante de uma crescente fuga de depósitos bancários e da grande expectativa do mercado financeiro com a situação grega, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse a jornalistas em Paris que os bancos franceses chegaram a um acordo preliminar com as autoridades para rolarem voluntariamente os títulos que estiverem vencendo.

"Concluímos que, ao esticar os empréstimos ao longo de 30 anos, colocando (as taxas de juros) no mesmo nível dos empréstimos europeus, mais um prêmio indexado ao futuro crescimento grego, isso seria um sistema que cada país poderia julgar atraente," disse Sarkozy.

O plano foi apresentado na segunda-feira em uma reunião de banqueiros internacionais e de funcionários da União Europeia com o Instituto Internacional de Finanças (IIF), mas nenhuma decisão foi tomada, segundo um funcionário do Tesouro italiano.

Num sinal de que há cada vez menos confiança de que a Grécia poderá evitar uma moratória na sua dívida de 340 bilhões de euros, a Moody's disse que os bancos gregos já perderam cerca de 8 por cento dos seus depósitos do setor privado neste ano, porque os clientes tiveram de queimar suas economias por estarem desempregados, ou então preferiram transferir suas economias para o exterior ou comprar ouro.

Fontes governamentais francesas disseram que, pelo acordo proposto, os bancos iriam reinvestir 70 por cento dos recursos obtidos no vencimento de títulos gregos entre 2011 e 2014, e embolsariam o resto. Dos 70 por cento reinvestidos, 50 iriam para novos títulos de 30 anos, e 20 por cento iriam para títulos com a nota mais alta de grau de investimento (AAA) e juros pagos somente no resgate, sem cupons periódicos.

Os novos títulos seriam colocados em um "Instrumento de Propósito Especial" (SPV, na sigla em inglês), o que na prática retiraria a dívida grega do balanço dos bancos participantes, segundo essa fonte. O que ficasse em poder dos bancos seriam ações do SPV.

Fontes do setor bancário disseram que os novos títulos poderiam ter garantia do fundo de resgate da zona do euro (EFSF, na sigla em inglês) ou do Banco Europeu de Investimentos.

Uma fonte do governo francês descreveu essa solução, proposta por banqueiros franceses, como "uma espécie de título Brady privado, sem garantia pública," numa referência à troca de títulos latino-americanos por papéis negociáveis no mercado, alguns deles com garantias oficiais - uma transação proposta em 1989 pelo então secretário norte-americano do Tesouro, Nicholas Brady.

Qualquer novo resgate financeiro para Atenas, inclusive créditos oficiais ou participações do setor privado, depende de o Parlamento grego aprovar nesta semana um plano de austeridade com duração de cinco anos, além de leis para implementar privatizações e reformas estruturais.

O ministro grego das Finanças, Evangelos Venizelos, reuniu-se em Atenas com parlamentares rebeldes do partido governista Pasok para tentar convencê-los a votar "sim" na quarta ou quinta-feira. Uma eventual recusa do Parlamento ao pacote poderá selar a moratória grega.

A oposição conservadora grega já rejeitou os apelos do governo pela unidade nacional, o que deixa o primeiro-ministro socialista George Papandreou nas mãos da sua pequena maioria parlamentar para aprovar o pacote que prevê mais impostos, menos gastos públicos e venda de patrimônio estatal.

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