Leo Lara/GM
Leo Lara/GM

Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Bancos iniciam negociação com Fiat e GM por socorro em meio à pandemia

A discussão é coordenada pelo BNDES e ocorre separadamente com cada montadora; segundo a Anfavea, setor precisa de aproximadamente R$ 40 bilhões em financiamento

Aline Bronzati e André Ítalo Rocha, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2020 | 10h00
Atualizado 14 de maio de 2020 | 18h50

Os bancos iniciaram conversas com as montadoras Fiat Chrysler e General Motors (GM) no âmbito do pacote de socorro que tem sido desenhado para a indústria automotiva diante dos estragos da pandemia, apurou o Estadão/Broadcast com três fontes. Até então, o setoa representado nas negociações pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), em discussão coordenada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Como não houve avanço, as conversas passaram a ser bilaterais.

A mudança do rumo foi necessária diante do impasse na configuração de uma ajuda única. Pesaram, sobretudo, a apresentação de garantias para viabilizar o plano de socorro e ainda a diversidade de empresas que necessitam de apoio para atravessar a crise. Os bancos queriam que as montadoras no Brasil obtivessem garantias junto às matrizes, entretanto, só uma minoria teria conseguido, já que as multinacionais também enfrentam dificuldades em suas operações locais por conta da pandemia.

Diante disso, os bancos iniciaram conversas bilaterais. As linhas de crédito em negociação são as convencionais oferecidas pelos bancos. Como não se chegou a um acordo setorial, é possível que as empresas do setor automotivo não contem com recursos por parte do BNDES. "Agora as empresas vão começar a verificar o que podem trazer para a mesa individualmente para os bancos, como, por exemplo, aval", diz uma fonte próxima às negociações, na condição de anonimato.

A ajuda ao setor automotivo está sendo coordenada pelo BNDES juntamente com o Itaú Unibanco. A ideia, explica uma fonte a par das negociações, é que a operação seja ofertada pelo líder aos demais bancos como acontece em qualquer operação de empréstimo sindicalizado, ou seja, com um grupo de instituições financeiras. A partir daí, então, cada banco vai definir o pedaço que tem apetite conforme sua exposição a determinada empresa.

Acordos bilaterais

A Anfavea, que estima que o setor precisa de cerca de R$ 40 bilhões em financiamento para conseguir atravessar a pandemia, chegou a propor que as garantias para obter os recursos fossem os créditos tributários estaduais e federais que estão retidos em nome das empresas. A associação calcula que são R$ 25 bilhões em recursos retidos, dos quais R$ 10 bilhões são estaduais e R$ 15 bilhões, federais. Para chegar aos R$ 40 bilhões, cada empresa poderia oferecer garantias adicionais, segundo o plano da associação. A proposta não avançou.

Uma fonte do setor automotivo diz que as negociações entre Anfavea e bancos estavam em um nível irritante, pois os termos exigidos pelo setor bancário já se equiparavam aos de uma negociação bilateral. O fato de haver um pool de bancos de um lado e uma associação de empresas do outro, portanto, não amenizava em nada as condições. Além disso, reforça que a maior parte das empresas terá dificuldades para conseguir garantias de suas matrizes, uma vez que a pandemia é global e afeta todos.

Apesar de as negociações terem sido iniciadas até agora com apenas duas montadoras de um total de 26 associadas da Anfavea, a expectativa é que esse número cresça nas próximas semanas. Isso porque, lembra uma fonte do setor, a queda nas vendas tende a aumentar o número de empresas que vão recorrer aos bancos para uma conversa individual.

Crise

O setor passa por um momento bastante delicado. Com as medidas de isolamento social, as fábricas foram fechadas em março e só agora começam a ser reabertas, lentamente. Desde o início da pandemia, as montadoras fizeram acordos trabalhistas para reduzir os custos de suas operações, mas os esforços podem não ser suficientes para os próximos meses diante da extensão da crise. Mesmo quando a recuperação começar, as empresas estarão mais endividadas, sem dinheiro no caixa e com um aumento gradual da demanda. Sem uma ajuda, será inevitável demitir, destaca uma fonte do setor automotivo.

Em abril, as vendas de veículos despencaram 75,9% em relação a igual mês do ano passado e tiveram tombo de 65,9% sobre o número de março, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), que reúne as concessionárias espalhadas pelo País. A produção, por sua vez, caiu 99% nas duas comparações, conforme a Anfavea. No mês passado, a produção de veículos  foi de apenas 1,8 mil unidades, a menor desde que a indústria automotiva se instalou no País, na década de 50.

Antes da pandemia, a Fenabrave e a Anfavea previam expansão de 9% para o mercado em 2020. Após a pandemia, o resultado acumulado do ano tem queda de 26,9%. Executivos do setor não se arriscam a fazer uma nova projeção para o ano, dado o alto grau de incerteza quanto à duração e à intensidade da pandemia no Brasil. Procurada, a GM se limitou a dizer que tem o crédito adequado, sem dar mais nenhum detalhe. A Fiat não comentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.