Bancos lideram remessas de lucros

Setor foi responsável por 25,1% de todo dinheiro que saiu do País de janeiro a abril; montadoras vêm a seguir

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

27 de maio de 2008 | 00h00

O setor financeiro liderou o envio de lucros e dividendos para o exterior no primeiro quadrimestre de 2008. Segundo o Banco Central (BC), o segmento foi responsável pela remessa de 25,1% de todo dinheiro que saiu do País entre janeiro e abril, correspondente a US$ 2,285 bilhões.Considerando todos os setores, as remessas somaram US$ 12,358 bilhões de janeiro a abril. O valor é mais de duas vezes superior ao de igual período de 2007. Só em abril, foram US$ 3,696 bilhões, três vezes mais que em abril de 2007.O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explicou que a disparada das remessas de multinacionais instaladas no Brasil é reflexo direto da maior lucratividade e também da taxa de câmbio favorável.Além disso, em muitas situações, o objetivo é cobrir perdas nas matrizes. É o caso do setor bancário, onde as operações têm sido influenciadas pela necessidade de caixa das matrizes, que enfrentam a crise das hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos. Isso tem ocorrido também com as montadoras de veículos, que ocupam o segundo lugar entre os que mais remeteram lucros. No quadrimestre, o setor enviou 20,7% (US$ 1,881 bilhão)das remessas.A tese é reforçada pelo fato de que 29,9% das remessas têm como destino os Estados Unidos, sede dos bancos que mais sofreram com a crise. Em igual período do ano passado, a participação americana era de 17,2%. No ranking de 2008, aparecem em seguida Espanha (16%) e Países Baixos (11,5%).Para os próximos meses, Altamir Lopes espera a diminuição do fluxo de remessas. Ele explica que esse fluxo costuma ser maior no início do ano e a tendência é que os valores diminuam de agora em diante.O professor de economia da USP Fabio Kanczuk concorda que a saída de dólares tende a diminuir nos próximos meses. Mas por acreditar na desaceleração da economia brasileira, com o aumento do juro e do pessimismo internacional, o que tende a reduzir a lucratividade das companhias. "Com ritmo menor do Brasil, o ingresso de investimento Estrangeiro direto também deve desacelerar", afirmou. Para ele, 2008 deve terminar com déficit em conta corrente de US$ 25 bilhões. A situação piora em 2009, quando ele espera rombo de US$ 40 bilhões.Se lideram as remessas de lucros, bancos e montadoras também encabeçam os setores que mais investem no País. No quadrimestre, as metalúrgicas - que estão entre as principais fornecedoras das montadoras - responderam por 19,1% do IED, de US$ 2,241 bilhões.As fabricantes de veículos trouxeram 5,2% (US$ 607 milhões). Já o setor financeiro respondeu por 14,3% de todo o IED que ingressou entre janeiro e abril, com US$ 1,684 bilhão.

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