Bancos lucram 25% a mais com economia desaquecida

O lucro líquido somado dos três maiores bancos privados do País - Itaú, Bradesco e Santander - aumentou 25,3%, passando de R$ 14 bilhões para R$ 17,6 bilhões no trimestre

Cley Scholz, O Estado de S. Paulo

07 de agosto de 2014 | 11h55

SÃO PAULO - Os bancos ficaram mais conservadores na hora de conceder empréstimos e esticar o limite dos cheques especiais dos brasileiros como resposta à desaceleração da economia nos últimos meses.

Um balanço dos resultados do segundo trimestre divulgados pelas instituições financeiras nos últimos dias mostra que os três principais bancos privados brasileiros adotaram uma estratégia conservadora como prevenção contra a atual conjuntura econômica.

Com isso os bancos conseguiram manter a lucratividade. O lucro líquido somado dos três maiores bancos privados do País - Itaú, Bradesco e Santander - aumentou 25,3%, passando de R$ 14 bilhões para R$ 17,6 bilhões.

Segundo uma análise feita pelo economista Erivelto Rodrigues, presidente da consultoria Austin Rating, os bancos deram prioridade a linhas de crédito mais seguras e fizeram uma 'limpeza' das carteiras de crédito.

Os bancos conseguiram reduzir a inadimplência e melhorar a eficiência. Além disso, fizeram esforços para recuperar empréstimos em atraso e buscaram mais liquidez.

O estudo considera que o resultado pode ser considerado surpreendente à primeira vista, já que o crescimento do crédito apresentou um ritmo modesto, de 7,4%, na comparação entre junho de 2014 e junho de 2013. Ficou aquém das estimativas dos próprios bancos, que trabalhavam, no início do ano, com alta entre 12% e 15%. 

"O que aconteceu é que os bancos mostraram flexibilidade e agilidade para se adaptar à mudança de cenário, buscando outros caminhos para garantir desempenho", destaca Erivelto. 

"A melhora da margem financeira, com o aperto da política monetária, foi também um fator de contribuição para o resultado dos bancos. Segundo dados do Banco Central, o spread também teve ligeira alta, passando de 10,9% para 12,9% ao ano".

Uma decisão importante, segundo o economista, foi a utilização de mais reservas que estavam na provisão de devedores duvidosos, pela redução das despesas com devedores duvidosos, principalmente no caso do Itaú.

"O Itaú, que anunciou lucro recorde, foi o banco que mais se beneficiou dessa linha para ampliar seus resultados", destaca o estudo do economista. "As despesas de provisão foram reduzidas em 15%, o que determinou impacto de R$ 1,2 bilhão em termos nominais. Foi o banco que teve o maior volume de redução, saindo de R$ 7,5 bilhões, no primeiro semestre de 2013, para R$ 6,3 bilhões, no mesmo período de 2014. O Santander reduziu essas despesas em 18% e o Bradesco em 2,6%".

O economista destaca a melhora consistente dos indicadores de eficiência, que passaram de 52,9%, em junho de 2013, para 43,7% em junho deste ano. 

"O Bradesco foi o que apresentou o melhor índice de eficiência com 41,9%, segundo pelo Itaú com 43,7% e o Santander com 61,5%. As despesas administrativas dos três bancos privados tiveram alta de 5,1%, abaixo da inflação do período. Mas o Itaú apresentou despesas acima dessa média, crescendo 10,4%, ante alta de 3,2% do Bradesco e de 1% do Santander". 

A rentabilidade (lucro líquido sobre patrimônio líquido) dos três bancos melhorou, passando de 13,6%, em junho de 2013, para 15,9%, em junho de 2014. O Itaú foi o banco com a maior rentabilidade com 21,7%, seguido pelo Bradesco com 18,8% e o Santander com uma rentabilidade muito baixa de 3,6%.

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