Bancos no Brasil são ineficientes, diz FMI

Apesar de lucrativos, os bancos no Brasil são menos eficientes e oferecem menos crédito do que os demais bancos na América Latina, nos Estados Unidos, Japão e União Européia. A conclusão é de um estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgado esta semana, que também afirma que o sistema financeiro brasileiro é controlado por poucas instituições, constituindo um oligopólio - dez bancos concentram 70% dos ativos. "Quando bancos agem como monopólios regionais ou oligopólios, os incentivos para melhorar a eficiência são pequenos e os spreads (diferença entre o custo de captação dos bancos e o valor cobrado dos clientes) são altos, desencorajando volumes maiores de empréstimos", diz o estudo assinado por Agnès Belaisch, economista do departamento de Hemisfério Ocidental do FMI. O Brasil é o campeão de ineficiência entre os países pesquisados. Os custos operacionais consomem 88% das receitas operacionais, 30% a mais do que na América Latina. O estudo diz, contudo, que os altos custos não podem ser creditados a despesas com pessoal. Se há 10 anos essas despesas representavam 50% dos custos operacionais, hoje correspondem a um terço. "A anomalia de aumento de custos operacionais e queda nas despesas com pessoal apontam para uma crescente negligência administrativa", diz o FMI. A baixa oferta de crédito também deixa o País para trás na comparação com os demais países. Apesar do sistema financeiro brasileiro ser similar ao americano em ativos - 77% do PIB -, os bancos daqui emprestam a metade do que os de lá: 24,8% do PIB, ante 45,3% nos EUA. Na Argentina e no México, onde os ativos representam 57,4% e 25% do PIB, respectivamente, o nível de empréstimos é similar ao brasileiro: 21% do PIB.

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