Bancos oficiais fazem Banco Central elevar previsão de expansão do crédito

Estimativa de aumento da oferta dos bancos estatais foi revisada de 21% para 24%; para bancos privados e estrangeiros não houve alteração

CÉLIA FROUFE , EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2012 | 03h07

O Banco Central elevou sua estimativa de crescimento do crédito para este ano, por causa dos bancos oficiais. Eles serão os principais fornecedores de crédito voltado para o consumo no País em 2012, com aumento dos financiamentos bem acima do esperado para instituições privadas.

A expectativa é que o aumento de oferta dos bancos estatais seja de 24% este ano, em comparação a uma previsão anterior de 21%. Esse movimento, porém, deve ter pouco efeito sobre a concorrência até dezembro. O BC manteve congeladas as previsões de expansão do crédito no setor privado, que devem ser de 10% no caso dos bancos nacionais e de 13% no dos estrangeiros este ano.

Se confirmada a estimativa do BC para os bancos públicos, que detêm 46% dos empréstimos a pessoas físicas e empresas, 2012 será marcado pela maior alta da oferta de crédito por essas instituições desde 2009, quando cresceu 32%. O resultado também ficará bem próximo dos 23,8% verificados em 2011.

Há três anos, o País sentia os reflexos mais contundentes da crise externa e, para amenizar seus efeitos, o governo convocou as instituições oficiais a auxiliarem na recuperação econômica. Agora, mais uma vez, a tarefa está com esses bancos.

"O crédito continua como um instrumento importante para este momento de retomada da economia", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. A previsão para o aumento total do crédito subiu de 15% para 16%. O total de dinheiro emprestado no País está hoje em R$ 2,2 trilhões, equivalente a 51% do Produto Interno Bruto (PIB).

Apesar de liderarem a liberação de crédito, os bancos oficiais registraram queda da inadimplência este ano, enquanto os privados amargaram alta. Maciel atribuiu esse movimento, principalmente, ao perfil dos empréstimos concedidos pelas instituições públicas, concentrados no consignado e no imobiliário, que costumam ter menos calote.

Juros. Maciel disse que a expansão do crédito, de 17% nos últimos 12 meses até agosto, ocorre em um ambiente de queda dos juros. E a ação dos bancos estatais ajudou a baixar as taxas. O custo médio dos empréstimos cai há seis meses e chegou a 30,1% ao ano no mês passado, menor desde 2000, quando o BC começou a atual série histórica.

O juro para pessoa física também tem caído um mês após o outro desde março, chegando ao mínimo de 35,6% ao ano no mês passado. Um pouco mais baixas, as taxas para as empresas vêm recuando desde fevereiro e chegaram a 23,1% ao ano em agosto.

As três principais linhas de crédito para pessoa física monitoradas pelo BC tiveram queda nas taxas anuais de julho para o mês passado. As do cheque especial atingiram 148,6% em agosto; as do crédito pessoal, 39,4% e as de veículos, 20,5%.

Veículos. Desde que o governo decidiu aplicar uma nova redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre automóveis, em junho, o BC detectou um aumento de 18,9% na média diária de financiamentos para o setor. Ao contrário do que ocorreu há dois anos, os prazos das concessões não têm mostrado ampliação. Segundo o BC, o prazo médio para aquisição em agosto era de 497 dias, 50 a menos do que há um ano. A inadimplência, que bateu recorde em maio, teve ligeira queda nos últimos meses.

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