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Bancos pedem garantia para crédito com desconto em folha

Para conceder crédito mais barato, mediante desconto direto das parcelas em folha de pagamento, as instituições financeiras querem a garantia de uma parcela dos recursos que o trabalhador tem direito a receber em caso de demissão. Essa reivindicação foi feita ao ministro da Fazenda, Antônio Palocci, pelos representantes das instituições financeiras e a parcela seria de 30% dos recursos liberados na rescisão do contrato de trabalho. A informação é de uma fonte do governo. "É a contrapartida que os bancos pediram para poder oferecer crédito a taxas diferenciadas para os trabalhadores", explicou o técnico.A Medida Provisória que vai regulamentar a concessão do crédito com desconto em folha para os trabalhadores deve sair esta semana. A conclusão dos estudos foi anunciada na semana passada pelo ministro da Fazenda, em solenidade no Palácio do Planalto. Palocci não forneceu detalhes da Medida, mas garantiu que os sindicatos terão participação ativa na negociação entre empresas e bancos.Descontentamento das centrais sindicaisO comprometimento de parte das verbas rescisórias, se for aprovado pelo governo, deverá gerar grande descontentamento nas centrais sindicais. O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, vinha defendendo nas negociações que esse avanço não poderia acontecer de jeito nenhum. "Verbas rescisórias são intocáveis", disse Paulinho. Para o presidente da Força Sindical os bancos já terão grande vantagem com o desconto em folha, pois o risco de inadimplência é zero. De acordo com os representantes dos trabalhadores, até agora só as empresas obtêm vantagens nas negociações com os bancos. "Vantagens como prazo e juros baixos ficam no departamento de pessoal das grandes empresas e nunca chegam aos empregados", disse um sindicalista. ConcorrênciaTambém os bancos de pequeno porte, que não detêm folha de pagamento de empresas, querem participar dessa modalidade de crédito. "Podemos negociar com empresas e sindicatos e oferecer aos trabalhadores taxas menores que as dos grandes bancos para os empréstimos", disse André Malucelli, diretor do Paraná Banco. A concentração do serviço em pouco mais de cinco bancos, segundo Malucelli, limitará a concorrência e será pouco significativa na redução dos juros, que é o objetivo do governo. O diretor do Paraná Banco explicou que mais de 80 bancos médios e pequenos atuam no crédito pessoal e que o desconto em folha pode ser feito sem problemas e sem acréscimo de custo pela própria empresa, com autorização do trabalhador.

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