Bancos pedem mais garantias para baixar juros

O presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Gabriel Jorge Ferreira, afirmou hoje que se os banqueiros concedessem mais empréstimos na atual situação de dificuldade de execução judicial de créditos, eles poderiam ser acusados de "administração temerária". "Num País onde as garantias dadas para obtenção de crédito perdem valor ou ficam submetidas a interesses de terceiros ou a um Judiciário extremamente moroso quando a empresa entra em dificuldade, temos poucas chances de construir um sistema eficiente de concessão de crédito", disse Ferreira, durante audiência sobre a Lei de Falências na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.Ele criticou a supressão feita na Câmara do limite para pagamento dos créditos trabalhistas e defendeu que todos os credores tenham "tratamento igual", numa alusão aos privilégios do Fisco. Segundo Ferreira, a nova Lei de Falência inovará ao classificar da mesma forma os créditos com garantia real e os créditos fiscais, mas sugeriu que esse tratamento poderia ser expandido para todas as dívidas. "A percepção da diminuição de risco do crédito causada por essa modificação, tão logo a lei seja compreendida e comece a ser aplicada, certamente constituirá fator de redução das taxas de juros oferecidas aos mercado", disse.Para o advogado Fábio Ulhoa Coelho, professor de Direito Comercial da PUC de São Paulo, a redução de juros como reflexo da nova legislação deverá levar quatro a cinco anos, porque os spreads (diferença entre a taxa de captação e a taxa cobrada dos clientes) bancários baseiam-se não só em projeções futuras como em estatísticas passadas, que levam tempo para se formar. "Mesmo depois de a reforma frutificar, haverá banqueiros mantendo seus juros altos alegando um outro pretexto qualquer", afirmou Coelho que também participou da audiência.

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