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Bancos perdem R$ 40 bilhões em valor de mercado

Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander acumulam fortes perdas em abril por causa do calote e das pressões do governo

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2012 | 03h07

A pressão do governo, aliada à alta da inadimplência e às turbulências externas dos últimos dias, reduziu o valor de mercado dos maiores bancos do País em cerca de R$ 40 bilhões somente em abril, de acordo com a Economática. Se esse fosse o valor de uma empresa fictícia, seria a 12.ª maior da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Ainda a título de comparação, a Souza Cruz vale R$ 44,9 bilhões.

O valor de mercado é obtido pela multiplicação do valor da ação pela quantidade de papéis no mercado. A queda mais expressiva até ontem foi do Itaú, que viu as ações desabarem 15,2% entre 30 de março e ontem. A seguir, vinham Banco do Brasil, com perda de 10,4%, Santander (7,1%), e Bradesco (5,7%). O Ibovespa caiu 3,6% no intervalo.

"Os investidores estão olhando o curto prazo, que mostra que a tendência da inadimplência é de alta para o próximo trimestre", afirmou o analista de bancos da Lopes Filho Consultoria, João Augusto Frota Salles.

Os três maiores bancos privados de varejo do País divulgaram nos últimos dias lucros modestos - para os padrões do setor - no primeiro trimestre por causa da inadimplência em elevação. Dados do Banco Central (BC) mostram que os atuais índices de calote nas pessoas físicas e jurídicas só perdem para o período que se seguiu à explosão da crise global, em 2008.

Os próprios bancos dizem que a tendência é de que os indicadores sigam piorando no segundo trimestre. O Itaú, por exemplo, só acredita em um recuo da inadimplência no fim do ano. Especialmente por isso, os analistas do banco Credit Suisse rebaixaram ontem as ações do Itaú para "abaixo da média do mercado", ante nota anterior "neutra".

O outro fator que tem pressionado fortemente os papéis do setor é a pressão do governo para que as instituições financeiras reduzam os juros e os spreads - diferença entre a taxa que os bancos pagam na captação dos recursos e a que cobram na concessão dos empréstimos.

"A leitura do mercado é de que o intervencionismo do governo pode reduzir as receitas com crédito e, consequentemente, o lucro lá na frente", sintetizou o analista de bancos da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu.

Além de críticas verbais públicas desferidas pela presidente Dilma Rousseff e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo orientou os bancos públicos a diminuir suas taxas de juros para forçar os privados a seguir o mesmo caminho. Inicialmente, os privados hesitaram, mas, depois, seguiram o movimento - ainda que timidamente.

Para completar, nesta semana, os mercados globais voltaram a passar por turbulências, em razão das dúvidas sobre a economia da Espanha e da queda do governo da Holanda - o décimo da região nos últimos dois anos. "Quando há turbulências, linhas de crédito que costumam ser acessadas pelos bancos brasileiros fecham", explicou Salles.

Nesta semana, um relatório dos analistas da agência de classificação de risco de crédito Fitch alertou que o retorno dos bancos brasileiros deve piorar em razão da provável queda da taxa básica de juros (Selic) para níveis historicamente baixos.

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