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Bancos podem elevar provisões contra efeitos da Lava Jato

Medida seria proteção contra uma eventual onda de inadimplência por parte de construtoras investigadas na operação

ALINE BRONZATI, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2015 | 02h03

Os bancos podem fazer ajustes no volume de provisões e rebaixarem riscos em suas carteiras no balanço do quarto trimestre, aproveitando um período de bons resultados para se anteciparem a eventuais impactos na inadimplência de empresas envolvidas na Operação Lava Jato, que investiga casos de cartel e corrupção em obras da Petrobrás, e seus fornecedores.

Depois de restringirem a oferta de crédito para as companhias investigadas, essas instituições, preocupadas com os desdobramentos futuros, cortaram novos empréstimos, conforme fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, estão só negociando e alongando as dívidas existentes.

Como em geral os grandes bancos têm reservas para gastos com calotes superiores às exigidas pelo Banco Central, os movimentos nas provisões não tendem a ser tão elevados.

Ao final do terceiro trimestre, o saldo de provisões de Bradesco, Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Santander ultrapassava o patamar dos R$ 114 bilhões. O primeiro impacto, se concretizado, será visto no aumento desta cifra e, depois, nos gastos com calotes, as chamadas PDDs, que podem crescer a reboque do maior provisionamento.

Calote. A possível alta nas provisões nos três últimos meses de 2014 pode reverter, para algumas instituições, um movimento de queda e redução nos calotes. No terceiro trimestre, Itaú Unibanco e Santander baixaram seus saldos enquanto os demais foram na contramão.

A falta de clareza quanto à exposição dos bancos às empresas afetadas pela Lava Jato tem preocupado o mercado financeiro. Em relatório que circulou no governo, expectativas apontavam um total de R$ 130 bilhões em créditos nos bancos privados e públicos no Brasil a Petrobrás e empreiteiras.

Em relatório ao mercado, analistas do Bank Of America Merril Lynch (BofA) avaliaram a exposição dos principais bancos ao setor de óleo e gás, cujo montante ultrapassa os R$ 86 bilhões. A maior deles, conforme Alessandro Arlant e Anne Milne, é do BB, com mais de R$ 41 bilhões ou cerca de 9,5% de sua carteira. Em seguida, vêm BTG Pactual (R$ 2,669 bilhões, 6,0%), Itaú Unibanco (R$ 14,5 bilhões, 4,8%) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), R$ 28,1 bilhões, 4,6%. Bradesco tem exposição de 3,1%, num total de R$ 10,3 bilhões, e na Caixa, para a qual os analistas usaram os números divulgados em 2013, o peso é de 2,7%, R$ 13,4 bilhões. O Votorantim tem a menor exposição: 1,7% de um total de pouco mais de R$ 1 bilhão liberado.

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