Bancos pressionam EUA contra o Brasil na OMC

O Brasil ganha um inimigo de peso na disputa que está sendo levada à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os subsídios dos Estados Unidos aos seus produtores de algodão - os bancos norte-americanos. Uma fonte da Casa Branca revelou ao Estado que, desde o mês passado, representantes de instituições financeiras vêm pressionando o governo dos Estados Unidos para que não ceda na disputa contra o Brasil.Os produtores nacionais argumentam que, ao dar subsídios aos seus agricultores, os Estados Unidos impedem que o produto brasileiro possa concorrer com o algodão norte-americano no mercado mundial. Além disso, os subsídios afetam de forma negativa os preços internacionais do produto, prejudicando a renda das exportações brasileiras.Na semana passada, o Brasil levou o caso à OMC, mas os Estados Unidos impediram formação de um comitê de arbitragem para julgar o caso. O Itamaraty, porém, já avisou que reapresentará o caso no dia 18 de março, em Genebra.O problema é que não são apenas os agricultores que dependem dos subsídios de Washington para conseguir produzir e exportar. Os bancos, principalmente os das áreas rurais, fizeram seus empréstimos aos fazendeiros do setor de algodão já pensando no subsídio que é dado ao agricultor e que, no fundo, o permite pagar suas dívidas com o banco.Caso a OMC condene a ajuda da Casa Branca, o temor dos banqueiros é de que os agricultores simplesmente não paguem suas dívidas com as instituições financeiras, que poderiam quebrar em pouco tempo. De fato, dados do governo brasileiro apontam que os subsídios são responsáveis pelo pagamento de toda a produção de algodão dos Estados Unidos nos últimos anos. Sem a ajuda, portanto, a perspectiva é de que uma quebra dos produtores locais.Para muitos na OMC, a pressão dos bancos sobre o governo norte-americano para que o subsídio seja mantido é uma prova de que o debate sobre o protecionismo agrícola nos países ricos não está apenas relacionado à agricultura.

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