BAC Florida Bank
Bradesco está bem perto de concluir a compra do BAC por US$ 500 milhões. BAC Florida Bank

Bancos privados brasileiros consolidam presença na Flórida atrás da alta renda

Enquanto o Itaú trabalha para expandir a sua atuação no Estado, o Bradesco está perto de concluir a compra do quinto maior banco da região, que tem cerca de 10 mil clientes

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 09h00

O possível recuo do Banco do Brasil em relação à venda do seu banco em Miami, na Flórida, está em linha com a estratégia dos rivais privados, que têm reforçado a presença por lá. Enquanto o Bradesco está perto de concluir a compra do BAC Florida Bank por US$ 500 milhões, o Itaú Unibanco preferiu crescer de forma orgânica e pediu uma nova licença ao Banco Central para ampliar sua atuação nos Estados Unidos.

Assim como na Europa, o foco dos bancos brasileiros no mercado americano está voltado, principalmente, ao público de alta renda, atrás dos brasileiros ricos, e ainda no suporte a empresas, servindo de ponte para aquelas que vão para lá e vice e versa. O potencial da clientela private foi exatamente o que levou o Bradesco a comprar o BAC. Antes, o banco chegou a avaliar o BB Americas - ainda que em uma análise superficial -, mas o ativo não interessou.

Depois de receber a última autorização que faltava para a aquisição, por parte do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), o Bradesco está perto de concluir a compra do BAC, o que é esperado para breve, conforme apurou o Estadão/Broadcast. A aquisição adiciona US$ 2,26 bilhões em ativos, de acordo com números do ano passado, o que o posiciona como o quinto maior banco local do Sul da Flórida, além de 10 mil clientes, sendo quatro mil CPFs de estrangeiros.

O BAC traz um reforço de plataforma de investimentos e serviços do Bradesco, com foco em câmbio, contas, cartões e financiamento imobiliário, diz um executivo, que falou ao Estadão/Broadcast na condição de anonimato. Além disso, faz parte da reestruturação do seu banco de alta renda, um dos desafios da gestão de Octavio de Lazari, que completa três anos no comando da instituição em março próximo.

Já o concorrente Itaú Unibanco solicitou no início do ano passado uma nova licença para expandir sua atuação na Flórida, onde já atua. Na época, informou que tal passo consumiria cerca de US$ 18 milhões em investimentos.

Procurado, o Itaú "confirma que vem desenvolvendo novos produtos e serviços aos clientes no âmbito da licença solicitada ao Banco Central no ano passado". BB e Bradesco não comentaram.

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Banco do Brasil cogita desistir de vender filial nos Estados Unidos

Entendimento é que valor obtido com a venda é baixo frente à importância da unidade, que atende a clientes brasileiros no exterior e tem alto potencial de lucro

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 09h00

O Banco do Brasil avalia desistir de vender sua filial nos Estados Unidos, o BB Americas, apurou o Estadão/Broadcast com três fontes, na condição de anonimato. A leitura da nova gestão, sob o comando de André Brandão, é de que o valor que seria obtido com o desinvestimento é baixo frente à importância da unidade, que serve de suporte a clientes brasileiros no exterior.

O contrato com o banco mandatado para vender o BB Americas está, assim, em compasso de espera. O Citi foi escalado para encontrar interessados para o ativo no início do ano passado na segunda tentativa do BB de se desfazer da operação - a primeira foi na gestão de Paulo Caffarelli, hoje na Cielo. Na época, começo do governo Bolsonaro, o então presidente do banco, Rubem Novaes, estava debruçado na pauta de desinflar o BB - a partir de uma lista de desinvestimentos, sob orientação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

No entanto, a visão de que a venda do BB Americas não seria tarefa fácil já prevalecia. Dentre as razões, o fato de os bancos brasileiros, potenciais compradores, já terem presença na Flórida era o principal vento contrário. Tanto é que até mesmo integrantes da alta cúpula do BB defendiam que o preço de venda não compensaria o valor do ativo, que garante passaporte livre para atuar em Miami, reduto de investidores latino-americanos.

"O BB Americas é muito pequeno. [A venda] é mais uma matéria de cunho político... porque em termos de impacto econômico é muito pequeno", diz um analista de um banco estrangeiro, que prefere não ser identificado.

Brandão, egresso do HSBC, tem uma visão diferente do antigo presidente do BB, que era favorável à redução do tamanho do banco - ainda que não a qualquer preço. O executivo, que assumiu a presidência da instituição pública em setembro, construiu sua carreira em grupos financeiros internacionais e reconhece a importância de atender os clientes fora do país de origem.

Ao mesmo tempo em que avalia cancelar a venda do BB Americas, a nova gestão estaria, por outro lado, considerando, conforme uma fonte, servir melhor os clientes que têm conta por lá e que incluem embaixadores, ministros e expatriados brasileiros. A ideia, ainda em estudo, é melhorar a plataforma de autoatendimento do banco, investindo em tecnologia.

O BB Americas possui cinco agências e no passado, conforme fontes, somava cerca de US$ 600 milhões em ativos. Teve origem no EuroBank, adquirido pelo Banco do Brasil em 2012. Desde então, a instituição tentou fazer decolar uma área de private banking e também apostou no mercado de crédito imobiliário, surfando na onda de brasileiros ricos que compraram imóveis em Miami em meio à desvalorização das propriedades no pós-crise.

Procurado, o BB não se manifestou.

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