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Bancos privados não devem seguir Caixa

Especialistas dizem que margem de ganho no crédito imobiliário já é muito pequena

Renée Pereira, da Agência Estado,

25 de abril de 2012 | 22h45

SÃO PAULO - A redução das taxas de juros do crédito imobiliário anunciada pela Caixa não deve ser seguida na mesma proporção pelos bancos privados. Ao contrário da taxa de outras modalidades de crédito, como empréstimo pessoal e cheque especial, que tem margem maior, o juro do crédito habitacional já é o menor do mercado, avalia o vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças e Contabilidade (Anefac). Miguel Ribeiro de Oliveira.

"Com uma Selic de 9% ao ano e os bancos emprestando a 8% ou 12%, o espaço para reduções é restrito. Mesmo com a captação da poupança, a margem de manobra é pequena." Oliveira acredita que, se houver queda de taxas, ela vai ocorrer em situações especiais, como por exemplo clientes que tenham garantia, risco de crédito menor ou boa relação com o banco. Ou seja, não vai alcançar todos os consumidores.

Por outro lado, o executivo avalia que se a Selic continuar caindo, as chances de o custo do empréstimo imobiliário cair aumentam. Ele destaca ainda o consumidor precisa provocar os bancos privados para reduzir a taxa.

O economista Roberto Luis Troster, professor da USP e PUC-SP, também avalia que o efeito da redução da Caixa no mercado será limitado nos demais bancos. "É uma corrida de fôlego curto. Na verdade, acredito que seja mais um faz de conta." Ele afirma que a redução de 21% pode ocorrer apenas para alguns clientes e não para a maioria da população. "Não há espaço no balanço para reduzir muito." Para Troster, o sistema precisa de mudanças mais significativas, como a bancarização ativa, cadastro positivo interativo e alteração na tributação financeira.

O presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Octavio de Lazari, é mais otimista, embora atribua uma queda do juros à Selic. Ele avalia que o movimento da Caixa vai contribuir para a expansão do crédito. "À medida que ocorre redução da Selic, as demais taxas também são pressionadas a cair." /COLABOROU CIRCE BONATELLI 

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