Bancos privados reduzem tarifas, enquanto que públicos sobem

Apesar do aumento de 9,2%, pacotes das instituições financeiras do governo ainda têm os valores mais baixos

Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

23 de setembro de 2009 | 12h03

Bancos públicos e privados têm estratégias opostas na política de tarifas. Estudo da Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda mostra que as instituições financeiras controladas pelo governo aumentaram o preço médio do chamado "pacote padronizado" de conta corrente para pessoa física em 9,2% entre maio de 2008 e julho de 2009. No mesmo período, bancos privados foram na direção contrária e cortaram o valor em 23,6%. O reajuste praticado pelos bancos estatais superou, inclusive, a inflação do período, de 6,47%.

 

O estudo de 25 páginas da Seae observa que, apesar de a tarifa básica dos públicos ter subido nos últimos meses, essas instituições ainda praticam preços menores que os concorrentes privados. "Computando separadamente as tarifas médias cobradas nos bancos públicos e privados, fica evidente que os bancos públicos cobram preços mais baixos que seus concorrentes privados para a maioria dos serviços", destaca o texto. No estudo, dos 32 serviços considerados prioritários, 21 têm preço médio menor nos públicos na comparação com os privados.

 

Segundo o estudo da Seae, bancos cobravam, na média, R$ 14,96 por mês nesse pacote de serviços básicos. Dados da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) mostram que atualmente as duas principais instituição financeiras públicas praticam valor superior à média registrada no estudo: Banco do Brasil cobra R$ 17,00 e a Caixa Econômica Federal, R$ 15,00. Nesse pacote, estão previstos oito saques, emissão de quatro extratos do mês corrente e quatro transferências entre contas da própria instituição, entre outros itens. Essa é a cesta de serviços mais usada pelas pessoas físicas.

 

Isoladamente, a tarifa dos bancos públicos que mais subiu nesse período foi a cobrada no fornecimento de folhas de cheque. Entre maio de 2008 e julho de 2009, o preço desse serviço saltou em 33,3%, passando de R$ 0,89 para R$ 1,18 por folha emitida. No mesmo período, os bancos privados cortaram o valor em 4,3%,de R$ 1,53 para R$ 1,47. Mas mesmo com a queda nos custos cobrados pelos bancos privados, os bancos públicos ainda têm preço menor nessa tarifa.

 

Fusão favorece redução de tarifas

 

O estudo da Seae mostra que as recentes fusões e aquisições entre bancos do sistema financeiro foram uma boa notícia para os clientes, pelo menos no que diz respeito às tarifas. Conforme relatório sobre a evolução das tarifas bancárias, consumidores das instituições incorporadas ou adquiridas foram beneficiados com a redução dos preços.

 

"Nas operações envolvendo o Banco do Brasil, as tarifas cobradas pelo Banco de Santa Catarina (Besc) e Nossa Caixa, que eram superiores às cobradas pelo BB, foram alinhadas para baixo", cita o documento. Situação semelhante aconteceu na união entre Itaú e Unibanco. "Para obedecer à determinação do Banco Central, permaneceu após a operação a tarifa mais baixa praticada entre as duas instituições", cita o documento. O negócio entre esses bancos só foi aprovado pela autoridade monetária com a exigência de que houvesse o alinhamento para baixo dos preços.

 

Nesse caso, especificamente, os beneficiados foram os correntistas do Unibanco, já que os preços praticados pela instituição eram, na média, 35% superiores aos valores cobrados pelo Itaú.

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