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Bancos privados renegociam R$ 7,5 bi da EBX

Itaú BBA foi a instituição mais exposta; Santander, Votorantim e BTG Pactual garantiram dívidas dos bancos públicos com OSX

Josette Goulart, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2013 | 02h24

Em apenas seis meses, os bancos privados promoveram uma das maiores renegociações de dívida da história brasileira com as empresas de capital aberto do grupo X. Foram R$ 7,5 bilhões repactuados, sendo quase dois terços concentrados, por ordem de exposição, nos bancos Itaú BBA, Bradesco, BTG Pactual, Santander e Votorantim.

Os dados foram compilados dos balanços divulgados das empresas do grupo e mostram que quase 100% dessa dívida direta com os bancos teve vencimentos postergados ou foi concedido um período de moratória. As empresas, por sua vez, apresentaram novas garantias, novos controladores ou até mesmo efetuaram o pagamento antecipado de parte da dívida.

O levantamento também mostra que os bancos públicos estavam menos expostos ao risco, seja porque o financiamento de longo prazo foi feito às empresas que foram logo vendidas, seja porque os empréstimos-ponte possuíam fianças bancárias, que transferem o risco.

Esse foi o caso da OSX. Dois financiamentos, um com a Caixa Econômica Federal e outro com o BNDES, de R$ 400 milhões e R$ 559 milhões, estão hoje na carteira do Santander e do Votorantim, respectivamente. Ambos concederam moratória da dívida para 2014, mas não devem escapar de entrar na lista de credores da recuperação judicial da holding. O BTG Pactual também é garantidor de dívida da CEF com a empresa.

Já outros bancos, que emprestaram para subsidiárias da OSX, não deverão ser afetados pela recuperação. Mesmo assim ainda terão de enfrentar um longo período expostos à empresa. A OSX 1 e a OSX 2, por exemplo, possuem dois empréstimos com um grupo de bancos, que vencem apenas em dez anos e que têm as plataformas construídas dadas em garantia. Em um deles, liderado pelo Itaú BBA, a empresa fez o pagamento antecipado de US$ 200 milhões para garantir o restante da dívida, US$ 432 milhões, até o vencimento.

Mas o próprio Itaú é dono de outro empréstimo de US$ 250 milhões com a OSX1 ainda pendente. Metade da dívida foi paga, segundo mostra o balanço da OSX divulgado na segunda-feira à noite, mas a outra metade ainda está em aberto.

O Itaú é o banco que tem maior exposição às empresas do grupo X, de acordo com os dados que são públicos, seguido do Bradesco. Este último, entretanto, teve empréstimos concedidos às empresas LLX e MPX (atual Eneva), que foram vendidas. Sob nova direção, o próprio Bradesco não só negociou as dívidas como ampliou a linha de crédito para a LLX.

OGX Maranhão. Outro imbróglio resolvido foi o da OGX Maranhão. A empresa é subsidiária da OGX, mas está fora do processo de recuperação judicial. Ontem, os acionistas da empresa aprovaram a transferência do controle para o fundo Cambuhy. Com o novo sócio, fica resolvida a dívida de R$ 600 milhões com Itaú, Santander e Morgan Stanley.

Os bancos não comentam o assunto. Alegam que estariam quebrando o sigilo bancário, mesmo que seus clientes tenham aberto as informações em seus balanços. Por esse motivo, não é possível saber a total extensão das dívidas do grupo, que está sob o guarda chuva da EBX. Diversos advogados, auditores, consultores e fontes dos bancos foram ouvidos pela reportagem, mas nenhum quis falar oficialmente. O Banco Central tampouco comentou. Mas fontes afirmam que o órgão está com uma lupa sob a provisão dos bancos no caso.

Apesar de o valor de R$ 7,5 bilhões não ser representativo da carteira de crédito total ou do patrimônio destes bancos, a cada real não pago o banco precisa fazer uma provisão de um porcentual do total não pago e junto arrastar toda a dívida do grupo econômico, mesmo a de empresas que não estejam em atraso. E cada real de provisão abate direto do lucro. Alguns especialistas anotam que se o calote fosse completo, sem renegociação, os cinco maiores bancos poderiam ter um lucro de 10% a 20% menor neste ano.

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