JF Diorio/Estadão / Daniel Teixeira/Estadão / Edgar Garrido/Reuters
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Bancos privados veem lucro cair 40% no 2º trimestre, com maior colchão para perdas

Reserva feita por Bradesco, Itaú e Santander foi maior que o dobro dos ganhos vistos no período; juntos, os três gastaram R$ 23,551 bi com calotes

Aline Bronzati, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2020 | 05h00

Os três maiores bancos privados brasileiros tiveram lucro líquido de R$ 10,214 bilhões no segundo trimestre, queda de 40% frente ao visto um ano antes, quando ficou em R$ 17,131 bilhões. O resultado foi impactado pelo reforço no colchão para perdas, que foi mais do que o dobro dos ganhos vistos no período, feito para absorver o esperado aumento da inadimplência devido à pandemia do novo coronavírus.

"Este foi um dos piores trimestres da história do Brasil, em termos de desempenho econômico. Começamos agora a ver alguns sinais de recuperação, cuja efetividade dependerá de passos importantes na gestão da economia", avaliou o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, em nota à imprensa.

A onda de calotes ainda não se materializou nos balanços dos bancos privados. Por ora, tem ajudado as prorrogações bilionárias feitas para ajudar pessoas físicas e jurídicas a atravessarem a crise. As instituições preferiram, contudo, se antecipar ao impacto.

Juntos, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander gastaram R$ 23,551 bilhões com calotes no segundo trimestre, salto de 89,34% em um ano. Frente ao primeiro trimestre, as despesas com provisões, as chamadas PDDs, subiram em 8,56%.

O aumento foi impulsionado pelo Santander Brasil, que ainda não tinha reforçado seu colchão para perdas, e também o Bradesco. Este último preferiu fazer uma provisão adicional no segundo trimestre, no valor de R$ 3,8 bilhões - já tinha feito uma de R$ 2,7 bilhões.

Na contramão, o Itaú, que já tinha provisionado R$ 4,5 bilhões para se blindar da crise, não viu necessidade de um novo reforço. "O cenário ainda exige cautela, mas enxergamos uma tendência decrescente para as provisões", justificou o vice-presidente executivo do banco, Milton Maluhy, em nota à imprensa.

Além disso, o maior banco da América Latina foi o que mais cresceu em crédito no segundo trimestre, o que o fez ultrapassar, pela primeira vez na história, a marca de R$ 2 trilhões em ativos totais. Na sequência, vieram Bradesco e Santander.

"Vimos uma desaceleração da originação de crédito no trimestre com redução da demanda em várias linhas. Esperamos a retomada na demanda no segundo semestre com a reabertura da economia", justificou o presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, em conversa com a imprensa, na semana passada.

Rentabilidade

Apesar de ainda impactada pela pandemia, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) dos bancos privados já deu sinais de melhora. No caso do Itaú, passou de 12,8% no primeiro para 13,5% no segundo. Santander veio na sequência e sentiu o baque que os pares já haviam tido por conta do reforço nas provisões. O indicador despencou de 22,3% no primeiro trimestre para 12% no segundo. No Bradesco, passou de 11,7% para 11,9%, nesta ordem.

Os bancos privados mantiveram as projeções de desempenho suspensas em meio à pandemia. Santander Brasil, que ainda não tinha ido nesta direção, fez o mesmo. Já o Bradesco, embora não tenha retomado as projeções, deu sinalizações do que espera para 2020. O crédito deve crescer acima do sistema e o pico do custo da inadimplência, provavelmente, já foi atingido.

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