Bancos propõem ao governo metas para redução do juro

O presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban), Gabriel Ferreira, disse hoje que está propondo ao governo o estabelecimento de metas para a redução do spread bancário (diferença nos juros). Durante o discurso de abertura do XIII Congresso e Exposição de Tecnologia da Informação das Instituições Financeiras (Ciab 2003), Ferreira apresentou uma série de condições para que ocorra a queda do spread bancário. Segundo ele, o spread deve cair conforme forem sendo solucionadas questões como a morosidade excessiva do Judiciário. De acordo com Ferreira, a legislação processual permite uma infinidade de recursos que leva ao tomador de crédito questionar, por exemplo, as taxas de juros dos contratos e ao mesmo tempo não pagar o principal (capital recebido) durante prazos superiores a cinco anos. Ele disse que a tributação incidente sobre os empréstimos chega a 29% do custo da intermediação. Na opinião dele, o compulsório de 60% sobre depósito à vista é bastante elevado.O presidente da Febraban comentou que interesses corporativos podem inviabilizar a nova Lei de Falências e Concordatas, que está em discussão no Congresso e que oferece um "mínimo" de segurança ao credor ao mesmo tempo em que dão fôlego para as empresas reestruturarem suas dívidas. Ele disse que é preciso dar uma segurança jurídica para que as centrais de crédito possam operar de modo a contribuir para a redução na inadimplência. "O setor está fazendo sua lição de casa e continua investindo e ampliando de maneira mais eficiente possível." Ferreira observou que em 1999 havia 49 milhões de correntistas e, ao final de 2002, eram 78 milhões - o que significa um acréscimo de 29 milhões de brasileiros com acesso a serviços financeiros.Ele disse ainda que o setor ampliou seus investimentos em informática e telecomunicações, de R$ 2,892 bilhões em 2000 para R$ 3,124 bilhões em 2001, e de R$ 3,537 bilhões no ano passado.Para os bancos, segundo ele, quanto mais baixa a taxa de juros melhora a qualidade de empréstimos, há uma expansão no volume e redução da inadimplência. Para Ferreira, o governo está trabalhando para reduzir alguns dos obstáculos, "mas tem muito caminho a percorrer" para reduzir as condições negativas que comprometem a eficiência da intermediação financeira, para propiciar a ampliação do crédito e fazer com que os empréstimos cheguem aos tomadores com taxas de juros "razoáveis".

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