Bancos prorrogam por 90 dias empréstimo de R$ 12 bi à Sete Brasil

Presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, diz que falta apenas assinar memorando de entendimentos; acionistas dizem que ganham fôlego para reestruturar a empresa que ainda depende do empréstimo de longo prazo do BNDES para continuar em atividade

Josette Goulart, O Estado de S. Paulo

06 de abril de 2015 | 22h04

O presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, disse nesta segunda-feira que o empréstimo-ponte para a Sete Brasil, empresa criada para intermediar a construção de sondas para exploração do pré-sal, será renovado por 90 dias. Um grupo de seis bancos emprestou R$ 12 bilhões à empresa, que já estão vencidos. O financiamento seria pago com empréstimo de longo prazo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que até agora não foi liberado.

De acordo com dois acionistas da empresa, os bancos fecharam o acordo com a Sete neste fim de semana. Trabuco disse, entretanto, que faltava ainda assinar um memorando de entendimentos. Mas o executivo deixou claro que a prorrogação está acertada, informação confirmada extraoficialmente por pelo menos outros dois bancos. O Banco do Brasil também confirmou que já assinou.

Com o acerto, as instituições financeiras abrem mão de executar, por esse novo prazo, o Fundo Garantidor da Construção Naval (FGCN) que garantiu R$ 4,5 bilhões do empréstimo. O restante não tem nenhuma garantia.

Além do Bradesco, também fazem parte do financiamento Banco do Brasil, Caixa, Itaú, Santander e Standard Chartered. Este último, que tinha a menor participação no empréstimo, cerca de US$ 225 milhões, já entrou com pedido de execução contra o FGCN, levando os outros bancos a ameaçarem fazer o mesmo. Segundo algumas fontes ligadas aos bancos, o Standard ainda não assinou a prorrogação. Os bancos, procurados, não quiseram falar oficialmente sobre o assunto.

Com a prorrogação do empréstimo-ponte, os bancos também evitam de fazer imediatamente a provisão total dos recursos emprestados. Qualquer provisão feita afeta diretamente o lucro. Nas próximas semanas, o Bradesco deve divulgar seu balanço. Trabuco não quis adiantar sobre como virá a conta de provisões no primeiro trimestre, mas disse que o banco está todo provisionado para possíveis calotes.

Reorganização. O BNDES suspendeu a liberação da primeira fase do empréstimo, de US$ 3,1 bilhões, depois que veio à tona o conteúdo das denúncias feitas em delação premiada, dentro da Operação Lava Jato, por Pedro Barusco, ex-diretor da Sete Brasil. Barusco afirmou que os estaleiros contratados para fazer as sondas pagaram propinas para fechar contratos.

Um importante acionista disse que com esse fôlego de 90 dias será possível pensar em um plano para readequar a empresa e viabilizar o financiamento de longo prazo. Uma das possibilidades analisadas é a redução do tamanho do projeto. Originalmente, os contratos firmados com estaleiros previam a construção de 29 navios sondas no valor total de US$ 25 bilhões. Outra alternativa é o financiamento de bancos estrangeiros. Recentemente, por exemplo, o banco de desenvolvimento chinês liberou mais de US$ 3 bilhões para a Petrobrás. Normalmente, a contrapartida exigida é a compra de equipamentos do país de origem do banco.

BR Distribuidora. Ainda nesta segunda-feira, Trabuco disse que a cadeia de petróleo e gás precisa ser redesenhada para que a economia volte a crescer. O banco reuniu em nome do Bradesco BBI, seu banco de atacado, cerca de 450 investidores em São Paulo. Ao falar com jornalistas, Trabuco afirmou ainda que a Petrobrás é muito importante para a retomada do crescimento. Perguntado se tinha interesse em comprar a BR Distribuidora, Trabuco disse que não. Segundo ele, o banco apenas avalia - para ajudar a Petrobrás - como a empresa poderia vender um lote de ações ou fazer caixa desse ativo. 

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