Bancos públicos crescem com a crise de liquidez

Os bancos públicos aproveitaram o retraimento dos bancos privados durante a crise de liquidez, no segundo trimestre de 2013, para elevar ainda mais sua participação na oferta de crédito, segundo a Nota de Política Monetária e o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC), divulgados nos últimos dois dias. Em agosto, os bancos estatais atingiram 50,7% do crédito total (+0,2 ponto porcentual em relação a julho), enquanto os privados nacionais caíram de 33,9% para 33,8%.

O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h14

No segundo trimestre, houve forte queda de liquidez, quando se tornou iminente o aperto da política monetária norte-americana. No primeiro semestre todo, a liquidez dos bancos locais caiu R$ 94,5 bilhões com a desvalorização dos ativos líquidos decorrente da marcação a mercado dos papéis, de operações vinculadas a compromissos e garantias e da perda de valor das cotas dos fundos mútuos.

O índice de liquidez do sistema bancário comercial - que relaciona o volume de recursos de alta liquidez com o fluxo de desembolsos dos 30 dias subsequentes - caiu de 1,91, em dezembro de 2012, para 1,63, em junho de 2013, mas ainda é positivo.

Ainda que os bancos, em geral, estejam capitalizados e sólidos - o capital supera o exigido, pelas regras de Basileia -, o sistema financeiro está em fase de ajuste. Mesmo num cenário de estresse, se a inadimplência triplicasse, os bancos continuariam solventes, segundo o BC.

O setor privado conteve a captação e reduziu a oferta de crédito. Menor inadimplência da pessoa física (de 5% para 4,8%, entre julho e agosto) ajudou o sistema a se fortalecer. O equilíbrio do sistema, avalia o BC, foi favorecido por famílias que trocam dívidas de maior custo por outras de custo módico. O crédito direcionado (com recursos do BNDES, rural e da poupança) aumentou 2,1% no mês e 27,2% nos últimos 12 meses, em relação aos 12 meses anteriores. Nos mesmos períodos, o crédito livre cresceu 0,5% e 8,8%.

A oferta de crédito imobiliário aumentou 35,1% em 12 meses. Por causa da expansão, o BC monitora o preço de imóveis, que se estabiliza.

O ritmo de expansão geral do crédito foi menor, entre janeiro e agosto (+8,9% em relação a 2012). No ano, tende a 15%, segundo o BC. Até aqui, foi um crescimento dependente dos bancos públicos. A notícia de que o governo determinou a redução do ativismo creditício dos bancos estatais é alvissareira. Mas, mesmo que se confirme, não parece fácil de ser cumprida.

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