ANDRE DUSEK/ESTADÃO
ANDRE DUSEK/ESTADÃO

Bancos públicos estudam medidas para a retomada econômica

Novos presidentes do Banco do Brasil e da Caixa disseram que as instituições terão papel fundamental na ampliação do crédito

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2016 | 12h10

BRASÍLIA - Os novos presidentes dos bancos públicos afirmaram que o Banco do Brasil (BB) e a Caixa Econômica Federal terão papel fundamental na ampliação do crédito para a retomada da economia brasileira. Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que o PIB do primeiro trimestre deste ano caiu 0,3% em relação ao quarto trimestre do ano passado e a recessão brasileira completa dois anos.

Logo após a cerimônia de posse, no Palácio do Planalto, Paulo Caffarelli, que assume o comando do Banco do Brasil, disse que o banco e as outras duas instituições estatais (Caixa e BNDES) estão juntos em busca de soluções para o momento econômico do País. "Isso se faz com estímulo à exportação, com aumento do crédito para as empresas, (com efeito) na retomada do crescimento econômico", afirmou, em curta entrevista.

Já o novo presidente da Caixa, Gilberto Occhi, disse que o governo do presidente em exercício, Michel Temer, busca a reversão dos números ruins da economia. "Vamos trabalhar para que sejam retomadas as ações produtivas para que o Brasil possa voltar a crescer. A Caixa vai continuar a ser grande contribuidora dessas medidas", afirmou.

BNDES. A nova presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, disse que "as políticas operacionais do banco serão revistas, já que elas são a linha mestra que direciona os investimentos, empréstimos e financiamentos". 

Mesmo evitando usar a palavra "devassa" no banco, Maria Silvia, avisou que além de "repensar e olhar todas as políticas operacionais", os empréstimos também serão revistos. "Nós vamos repensar os ratings. É o momento para repensar isso, repensar as políticas operacionais que são as que dão via aos financiamentos e empréstimos. Vamos rediscutir a renda variável, vamos rever e repensar o que está sendo feito, que é importante, principalmente em um momento como este".

"Eu trabalho com controles. Eu estou formando uma diretoria de controladoria que vai ter compliance, gestão de risco, tudo organizado debaixo dele. Nós vamos trabalhar com fatos e, a medida que os fatos acontecerem, nós vamos tomar previdências, e entre os fatos está olhar todas as políticas operacionais, olhar todos os empréstimos", informou. 

Segundo a nova presidente do BNDES, os bancos oficiais, e até a Petrobras, passarão a trabalhar de forma integrada. "Isso pode parecer óbvio, mas não necessariamente é. Hoje existe uma política integrada, uma política de governo, e o objetivo é comum: retomar o crescimento, o emprego, resolver essa grave crise fiscal que nós temos." Ela disse que vai trabalhar na área de infraestrutura e concessões, mas ao mesmo tempo vai rever as atuais políticas do banco, "para verificar quais projetos trazem retorno para a sociedade".

O pagamento de RS 100 bilhões do BNDES ao Tesouro já está na programação deste ano, afirmou ela. Isso não deve prejudicar o financiamento às concessões porque esse programa deve ser suportado com recursos privados. "As pessoas se esquecem que o BNDES sempre se financiou com recursos privados. Hoje é um mercado que está fechado, mas com a retomada do crescimento poderemos voltar ao mercado de capitais, fazer captação internacional. O importante é dar um pontapé inicial e começar. Quando o ciclo positivo começa, tudo fica mais fácil". / LU AIKO OTTA, ADRIANA FERNANDES, MURILO RODRIGUES ALVES, CARLA ARAÚJO, TÂNIA MONTEIRO

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