Bancos públicos levam vantagem com redução agressiva de juros

Banco Central aumentou a projeção de crescimento do crédito das instituições estatais de 19%, previsão feita em março, para 21% neste ano

Eduardo Cucolo e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

26 de junho de 2012 | 18h43

BRASÍLIA - A política de redução agressiva dos juros vai dar uma vantagem ainda maior para os bancos públicos, que devem registrar neste ano mais que o dobro do crescimento no crédito em relação aos bancos privados. Nesta terça-feira, 26, o Banco Central aumentou a projeção de crescimento na carteira de crédito das instituições estatais de 19%, previsão feita em março, para 21% neste ano. E revisou para baixo a expansão nos bancos nacionais privados de 12% para 10%.

A mudança nas estimativas reflete os dados verificados até maio. Nestes cinco meses, o crédito cresceu 7,8% nos bancos públicos, que respondem hoje por 44,6% dos empréstimos concedidos para pessoas físicas e empresas no País. Devem fechar o ano com participação de quase 46%. As instituições privadas nacionais, por outro lado, cresceram apenas 3,1% no período.

O crédito dos bancos públicos avançou nos segmentos habitacional, consumo, serviços e empréstimos para o governo. O setor privado também tem crescimento liderado pela área de habitação, mas supera as instituições estatais, em termos porcentuais, apenas no financiamento para indústria.

O professor de finanças da Universidade de Brasília, Newton Marques, diz que os números mostram o resultado do esforço do governo em usar os bancos públicos para fazer uma política anticíclica. Avalia, no entanto, que é preciso ficar atento à qualidade do crédito. Por enquanto, a inadimplência segue estável nesses bancos, ao contrário do que acontece nas instituições privadas, que registram alta nos atrasos.

Subsídio

O BC também revisou para baixo o crescimento na carteira do crédito subsidiado, que é composto principalmente por empréstimos do BNDES e pelo crédito imobiliário. E elevou a projeção de crescimento das operações do chamado crédito livre, que inclui os financiamentos ao consumo. Mesmo assim, o crédito com subsídio, que representa um terço dos empréstimos no País vai crescer mais (20%) do que os financiamentos com taxas de mercado, que devem avançar 13% neste ano, segundo a estimativa oficial.

A instituição manteve a previsão de crescimento de 15% no crédito no Brasil neste ano, abaixo dos 18,3% verificados nos 12 meses encerrados em maio. Com isso, o valor total das dívidas das famílias e empresas brasileiras vai chegar a 52% do Produto Interno Bruto (PIB). Hoje, está em 50,1%, porcentual recorde. O BC também manteve a estimativa de expansão de 13% na carteira de crédito dos bancos estrangeiros que atuam no País, como Santander e HSBC. Até maio, houve crescimento de 3,7%.

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