Bancos querem dolarização das tarifas, diz Eletrobrás

Nos contatos que teve com os bancos Goldman Sachs e Bear & Stearns, em um encontro realizado na semana passada, em Nova York, o assessor da Presidência da Eletrobrás, Roberto D´Araújo, percebeu que os bancos não gostaram da idéia do governo federal de alterar o indexador dos reajustes das tarifas de energia brasileira. "O recado foi claro: os bancos querem a tarifa dolarizada", disse D´Araújo. Entretanto, ele considera o pedido inviável. "Dolarizar as tarifas é impossível, porque a população não recebe em dólar".Não adiantaram, segundo o assessor, os argumentos de que no novo modelo do setor elétrico as empresas terão reduzidos riscos de mercado. "Os bancos gostaram da conversa sobre as taxas de retorno, mas querem o retorno em dólar", disse o assessor. "Eu os alertei para o fato de que poderiam obter uma receita menor, mesmo cobrando em dólar", contou D´Araújo, em sua palestra durante o 5º Enercon, em São Paulo, realizado pelo Institute for International Research (IIR).Entre as medidas anunciadas pelo governo federal como parte do novo modelo do setor elétrico está a idéia de substituir como indexador para os reajustes das tarifas de energia o IGP-M, que traduz diretamente o impacto da variação cambial, por outro índice. "Não é muito difícil elaborar um índice setorial", disse D´Araújo, lembrando que setores como o da construção civil já têm índices próprios.

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