Bancos querem vender fatia na Eneva após aumento de capital

Com capitalização, BTG, Itaú BBA e Citi devem ficar com a maior participação na geradora de energia fundada por Eike Batista

O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2015 | 02h02

Os principais bancos credores da Eneva (antiga MPX), geradora de energia fundada por Eike Batista em recuperação judicial, devem ficar com a maior fatia na companhia após o aumento de capital previsto na reestruturação, que terá um passo importante hoje, quando a assembleia de credores deve aprovar o plano de reestruturação.

O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou com duas fontes próximas às instituições que a intenção delas é vender as suas fatias para um interessado e se desfazerem dos papéis da empresa após a capitalização. Na prática, isso significará que a companhia pode ir para as mãos de um novo controlador.

Atualmente, o grupo alemão E.ON e o empresário Eike Batista dividem o comando da Eneva, mas a tendência é que com o aumento de capital a empresa se torne uma "corporation" (companhia de capital disperso, na qual nenhum sócio possui fatia dominante). De acordo com uma das fontes, já há interessados no negócio.

"Como o conjunto de bancos terá mais 50% e as instituições não gostam de carregar participações vindas de conversão de capital por muito tempo, provavelmente, os bancos iniciarão um processo organizado de venda dessas participações", disse uma das fontes.

A operação, no entanto, não deve ser concluída no curto prazo, uma vez que são necessárias as negociações entre possíveis interessados e os bancos, acrescentou a fonte, dizendo também que a tendência é que o comprador da participação dos três bancos seja um só.

Maior fatia. O BTG Pactual tem a maior fatia da dívida das empresas em recuperação judicial (Eneva e a subsidiária Eneva Participações), com R$ 1,27 bilhão do total de cerca de R$ 2,3 bilhões. Outros grandes credores são o Itaú BBA e o Citi, com cerca de R$ 700 milhões e e R$ 350 milhões, respectivamente. Procuradas, as instituições e a Eneva não se pronunciaram.

De acordo com uma das fontes, o BTG pretende iniciar a negociação das ações logo após a capitalização e deve ser seguido pelas outras instituições, o que acarretará na venda dos papéis em conjunto. Os bancos, no entanto, não assinaram nenhuma obrigação entre eles. "Os três (BTG, Itaú BBA e Citi) devem vender os porcentuais, que irá certamente superar 50%, de maneira conjunta, mas não há um acordo assinado em relação a isso", disse a pessoa.

Os bancos ficarão obrigatoriamente com fatias na Eneva, uma vez que o plano de recuperação judicial prevê um "haircut" (desconto) da dívida de 20%, além da conversão de 40% da dívida em capital da companhia.

Uma das controladoras da Eneva, a alemã E.ON, não teria interesse em injetar novos recursos na companhia e venderia junto com os bancos a sua participação, que será diluída, disse uma das fontes. Também procurada e questionada sobre a intenção de manter o controle, a alemã informou apenas que apoia o plano de recuperação judicial da Eneva, que irá a votação dos credores.

A expectativa dos principais credores é de que o plano seja aprovado, após a assembleia ter sido suspensa no último dia 16. "Como um dos acionistas controladores (ao lado de Eike Batista), estamos ativamente engajados com a companhia para implementar os passos para a sua estabilização. Continuaremos trabalhando de forma construtiva com os outros acionistas", disse a empresa em nota. A E.ON já sinalizou que irá participar do aumento de capital com a contribuição de ativos, uma opção prevista no plano.

A empresa alemã, disse uma das fontes, perdeu o interesse no negócio brasileiro, a Eneva. Um dos motivos é que teria adotado uma diretriz de não investir em energia a carvão, focando em fontes de energia limpa. O Broadcast também tentou contato com Eike Batista, mas não obteve retorno./ M.S.

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