Bancos rebaixam estimativa de crédito

Com alta da inadimplência, Itaú, Bradesco e Santander reveem projeções para este ano

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2012 | 03h08

Os maiores bancos privados brasileiros vão rever para baixo, nas próximas semanas, as estimativas de expansão do crédito em 2012. O Itaú, que esperava entre 14% e 17%, já considera a banda menor como teto. No Bradesco, a expectativa será oficialmente revisada nesta semana, do intervalo de 18% a 22% para 13% a 18%.

O Santander, terceiro maior privado do País, não costuma divulgar suas projeções, mas também sente o mercado mais fraco do que esperava, segundo o vice-presidente de risco, Oscar Herrero. Na única ocasião em que tratou publicamente do assunto, em setembro de 2011, o Santander apostava em alta do crédito de 15% a 17% em 2012. O Banco do Brasil tem visão diferente.

O apetite menor de empresas e pessoas físicas por empréstimos e a maior seletividade do setor bancário na análise de crédito são os dois fatores que explicam o ajuste dos bancos. Em última instância, ambos os movimentos estão relacionados ao desempenho da atividade econômica brasileira bem inferior às expectativas iniciais para o ano.

Na última semana de 2011, a média do mercado previa alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,4% para 2012. Na semana passada, a estimativa recuou para 2,38%. "Nesse ambiente de incertezas, o empresário tende a tirar o pé na hora de investir", disse o diretor executivo do Bradesco, Octavio de Lazari Júnior.

Nas pessoas físicas, explicou Herrero, a alta da inadimplência nos últimos meses levou a uma menor demanda por empréstimos. "Muitas famílias estão focadas em reduzir os níveis de endividamento."

O diretor de Controladoria do Itaú, Rogério Calderón, cita outro efeito da alta da inadimplência: maior seletividade dos bancos na hora de emprestar. Em outras palavras, os critérios ficaram mais apertados."Isso não quer dizer que fechamos o balcão e não queremos emprestar. Ao contrário. Temos R$ 200 bilhões disponíveis para crédito."

Apesar das expectativas mais modestas, os bancos fazem questão de dizer que o segundo semestre será melhor que o primeiro. A maioria dos analistas avalia que, no quarto trimestre, o PIB se expandirá a um ritmo anualizado de 4% a 4,5%.

Calote. A esperada melhora da economia no segundo semestre é o que embasa as expectativa dos bancos de queda da inadimplência nos próximos meses. Para as principais instituições financeiras do País, o pior momento ficou para trás. A estimativa varia entre as instituições, mas, em linhas gerais, espera-se que os números se estabilizem neste e no próximo trimestre, e apresentem melhora já a partir dos três últimos meses de 2012.

"Algumas linhas de crédito já têm apresentado redução da inadimplência", afirmou o vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco do Brasil (BB), Alexandre Abreu, fazendo a ressalva de que são indicadores observados nas últimas semanas. Nos três primeiros meses do ano, a inadimplência total no BB ficou em 2,2%, abaixo da média do sistema financeiro, mas levemente acima do quarto trimestre de 2011, quando foi de 2,1%. No primeiro trimestre do ano passado, o índice atingiu os mesmos 2,1%.

Dados do Banco Central (BC) mostram que o índice de calote total (que inclui pessoas físicas e empresas) subiu no primeiro semestre a níveis semelhantes aos do auge da crise de 2008. As operações em atraso há mais de 90 dias chegaram a 7,6% em abril, mesmo índice de janeiro e fevereiro. No auge da crise, o pico foi de 8,5%. "O problema da inadimplência é que sobe de elevador e desce de escada", define a analista de crédito da Tendências Consultoria, Mariana Oliveira.

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