Daniel Teixeira/Estadão
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Coluna

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Bancos recomendam que empresas aguardem um cenário mais favorável para lançar IPOs

Instituições financeiras alertam que questões fiscais do País, volatilidade do mercado e eleições nos EUA podem derrubar os preços das ofertas iniciais de ações das companhias

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 08h00

Com a maior preocupação dos investidores em torno da sustentabilidade fiscal brasileira e a consequente volatilidade do mercado, os bancos começaram a recomendar a empresas que estão próximas a lançarem suas ofertas iniciais de ações (IPOs, na sigla em inglês) para aguardarem um momento um pouco mais calmo. Assim, conseguirão preços melhores pelas ações das companhias. O conselho já foi dado, por exemplo, à Havan, rede varejista do empresário Luciano Hang, segundo fontes.

"O mercado está muito difícil agora. O ideal é aguardar um cenário com menos volatilidade, para se conseguir precificar de forma apropriada a empresa", diz uma fonte, envolvida em diversas operações. A visão é de que outubro será um período de grande turbulência, que tende a crescer com a proximidade das eleições dos Estados Unidos. A partir daí, se o cenário interno ajudar com um maior entendimento entre os poderes e redução dos questionamentos sobre a saúde das contas públicas, a janela para captações tende a se tornar mais favorável.

No caso da Havan, uma empresa de Santa Catarina com faturamento bilionário e que ganhou os holofotes por conta do apoio irrestrito de seu controlador a Jair Bolsonaro desde a campanha presidencial, o conselho dado foi adiar, ao menos um pouco. A empresa começou as reuniões preliminares com investidores há cerca de 15 dias e o preço que vinha sendo testado para a estreia da empresa era de um valor de mercado de R$ 70 bilhões.

A volatilidade do mercado, porém, está muito maior agora. A ideia, disse uma fonte, é que a empresa passe mais tempo em reuniões com investidores. A depender das condições de mercado, a oferta poderá ser lançada ainda neste ano.

Uma outra fonte, de um banco de investimento envolvido nas ofertas e também na condição de anonimato, disse que no momento só estão sendo mantidas as ofertas que já têm demanda suficiente para o IPO, no jargão do mercado são aquelas que "já têm o livro coberto". Nesta semana, duas ofertas ainda serão precificadas: o varejista Grupo Mateus, que até na última segunda-feira, 5, estava com a demanda superando a oferta em cerca de três vezes, e a Natura, que é uma oferta subsequente (follow on).

Na última segunda-feira, 5, a empresa de logística Sequóia, investimento do fundo de private equity norte-americano Warburg Pincus, concluiu seu IPO, mas teve de enfrentar pressão de investidores. Para ter sucesso, reduziu o preço em 13% em relação ao piso inicialmente proposto. Desde agosto, Pague Menos, Lavvi e Cury também reduziram os preços para viabilizarem suas estreias na B3.

Mas nem todas as empresas que acabaram lançando a oferta e se depararam com uma maior volatilidade aceitaram abrir mão de preço. Por isso, preferiram aguardar. Compass, da Cosan, o banco BR Partners e a construtora Pacaembu decidiram esperar por mares mais calmos antes de levarem as empresas a mercado. Outra oferta de grande porte que já anunciou que esperará é a Caixa Seguridade, holding da área de seguros da Caixa Econômica Federal.

Com pedido de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para abrirem capital há atualmente cerca de 50 candidatas. No ano até aqui, o volume das emissões está em cerca de R$ 75 bilhões.

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