Bancos reconsideram participar em painéis de definição da Libor

Os bancos avaliaram os riscos para sua reputação vindos de um confuso sistema de referências em meio a um escândalo de fraudes de taxas, enquanto o Royal Bank of Scotland retirou-se de um painel em Cingapura, ajustando as taxas de empréstimos interbancários.

VIDYA RANGANATHAN E LAWRENCE WHITE, Reuters

20 de julho de 2012 | 13h20

Pessoas em outros bancos também disseram que as instituições devem procurar sair dos painéis, que divulgam diariamente taxas como a Libor, uma referência para tudo, de hipotecas a derivativos complexos.

A participação nos painéis já foi considerada uma tarefa de prestígio, mas agora está manchada com a suspeita de manipulação, particularmente para os menores, com moedas menos líquidas.

"Qualquer banco que não esteja pensando nisso seria insensato", disse uma pessoa em um dos bancos que contribui para um dos paineís de definição da taxa em Londres.

"As pessoas estão dizendo, calma, qual é o valor disso para mim? Especialmente para aquelas moedas que não devem ser negociadas em altos volumes", disse outra. Ambas as pessoas pediram para não ser identificadas por causa da sensibilidade da questão.

Várias daquelas taxas interbancárias são definidas em centros finaneiros no mundo por uma cesta de moedas e gerenciadas por suas próprias organizações, apesar de que aquelas em Londres e Bruxelas são de longe as de maior influência.

As taxas definidas em Tóquio, são conhecidas como Tibor, as de Hong Kong como Hibor e aquelas em Bruxelas como Euribor.

A Reuters publicou com exclusividade neste domingo que o Barclays planejava sair do painel de fixação de taxas para os empréstimos interbancários no Emirados Árabes Unidos.

O RBS já encerrou painéis em Tóquio e Hong Kong, informou o Financial Times no início deste mês.

Uma investigação sobre a manipulação das taxas de empréstimos interbancários de Londres começou no final do ano passado e tomou as manchetes no mês passado, quando o Barclays pagou uma multa de 453 milhões de dólares para liquidar com os reguladores dos Estados Unidos e do Reino Unido sobre seu papel na fixação da taxa.

Mais de uma dúzia de outros bancos estão envolvidos na investigação. As taxas são a base para a avaliação de centenas de trilhões de contratos financeiros.

(Reportagem adicional de Rachel Armstrong em Cingapura, Lincoln Feast em Sydney, Steve Slater, Kylie MacLellan e Douwe Miedema em Londres)

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