Werther Santana/AE
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Bancos reduzem horário de atendimento no interior de SP por causa da violência

Medida já prejudica a economia de algumas cidades; Estado registrou 100 roubos a banco até setembro

José Maria Tomazela, correspondente, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2016 | 20h47

SOROCABA - Para coibir os ataques de quadrilhas com explosivos, os bancos estão reduzindo o horário de autoatendimento em postos de serviços e agências bancárias do interior de São Paulo. A medida afeta os usuários dos serviços, obrigados a se adaptarem a uma nova rotina, e já prejudica a economia de algumas cidades. O Banco do Brasil, primeiro a adotar a redução, informou que a medida visa a resguardar o patrimônio e a segurança das pessoas. O Estado teve 100 roubos a banco até setembro deste ano. No ano passado, foram 121.

Em Sarapuí, mais de 400 funcionários da prefeitura têm de viajar até cidades vizinhas para sacar o salário, depositado no Banco do Brasil. Explodida em janeiro deste ano, na véspera de ser reaberta após a explosão anterior, em 2015, a agência não abriu mais. "Quem precisa de pouco dinheiro, faz saque nos Correios, mas a maioria vai até Itapetininga para receber o salário e acaba aproveitando a viagem para fazer compras, o que prejudica o nosso comércio", disse o coordenador de Recursos Humanos da prefeitura, Eduardo Fogaça Ruivo. O município ainda é obrigado a abonar a falta do servidor que se desloca para sacar a remuneração.

O engenheiro agrônomo Raul Rozas, de Tapiraí, já sabe que, se precisar de dinheiro vivo, precisa ir ao banco antes das 17 horas. "Depois desse horário, os caixas são esvaziados e a agência fecha. Quem não se previne, fica na mão." A única agência da cidade, do Bradesco, foi explodida pela sétima vez, em outubro de 2015, e passou a ficar sem dinheiro à noite. Quem procura os bancos de Conchas em domingos e feriados encontra as portas fechadas. O autoatendimento é suspenso às 18 horas, desde que as agências do Banco do Brasil, Santander e Bradesco sofreram uma série de ataques com explosivos.

Em Cesário Lange, uma lei municipal obriga os bancos a manter todos os caixas vazios entre as 17 horas e as 8 da manhã seguinte. "Foi a forma que achamos para evitar novas explosões. Causa um certo sacrifício para a população, mas dá mais segurança, pois, nos últimos ataques, até prédios vizinhos das agências foram danificados", conta o prefeito Ramiro de Campos (PSDB). A medida funcionou, segundo ele. Desde novembro de 2015, quando a lei entrou em vigor, não houve mais ataques.

Em Capivari, no último 29 de outubro, duas agências do Banco do Brasil, uma do Bradesco e outra de uma cooperativa de crédito foram explodidas ao mesmo tempo por um bando fortemente armado. A esteticista Patrícia Morgado passou a viajar duas vezes por semana até Piracicaba para depositar cheques e fazer outros serviços bancários. O gasto extra afeta o orçamento da família. "Desde as explosões, estamos sem banco e já avisaram que, quando as agências reabrirem, os caixas eletrônicos não vão mais funcionar à noite."

Um dos principais alvos das quadrilhas, o Banco do Brasil vai reduzir o horário do autoatendimento também em cidades de maior porte. Em Piracicaba, de 370 mil habitantes, a partir do dia 28 próximo, as salas com caixas ficarão abertas das 9 às 18 horas, apenas nos dias úteis. Atualmente elas funcionam 6 às 22 horas inclusive nos fins de semana e feriados. A mesma medida será adotada em Limeira, com 280 mil moradores.

O banco informou que a adoção de novos horários segue análises técnicas. "Decorrente do aumento dos ataques com explosivos aos caixas eletrônicos, e visando resguardar a segurança patrimonial e das pessoas, as instituições financeiras têm adotado, pontualmente, e de acordo com a necessidade de cada praça, a alteração no horário de funcionamento nas suas dependências."

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que está empenhada, junto com os bancos, em apoiar as autoridades no combate aos problemas de segurança pública dos quais também são vítimas. Todos os bancos seguem uma lei federal que determina padrões de segurança para as instituições financeiras, mas cada instituição, dentro dessa legislação, adota os procedimentos que acha mais adequados. De acordo com resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN), o horário mínimo de atendimento de uma agência bancária deve ser de cinco horas diárias, incluindo obrigatoriamente o período das 12 às 15 horas, em todo o Brasil.

Fica a critério de cada instituição financeira estabelecer o horário de atendimento em sua rede, desde que atendendo às normas do CMN, segundo a Febraban. "Quando às salas de autoatendimento, como elas são uma facilidade oferecida voluntariamente pelos bancos aos clientes, não há normativo estabelecendo horário obrigatório de funcionamento. Ele é determinado levando-se em conta estudos de logística, de processamento e de segurança da agência", informou em nota.

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