Bancos reduziram o endividamento externo

Os últimos dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) sobre o endividamento externo do setor privado brasileiro revelam uma disparidade entre a estratégia adotada pelos bancos e pelas empresas comerciais e industriais instaladas no País. Enquanto o setor bancário reduziu a dívida no exterior em US$ 6,716 bilhões no segundo trimestre deste ano, as empresas não ligadas à área financeira a aumentaram em US$ 1,474 bilhão no mesmo período.

O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2015 | 02h58

A atitude tomada pelos bancos em geral é compreensível. Com a desvalorização em escala crescente do real diante do dólar e o euro, as instituições bancárias preferiram livrar-se progressivamente de seus passivos externos, e estão podendo fazer isso graças ao seu confortável nível de capitalização. Além disso, com a queda da demanda de crédito no mercado interno, não faz sentido para os bancos endividar-se mais no exterior. No semestre, o endividamento do setor recuou US$ 13,164 bilhões.

Já as decisões tomadas pelas empresas não financeiras são mais complexas, embora essas empresas também tenham sofrido os efeitos da turbulência cambial, que elevaram o custo dos empréstimos externos. Mesmo assim, na primeira metade do ano elas tomaram empréstimos de US$ 9,608 bilhões no exterior. Nota-se, todavia, que o volume de novos empréstimos tomados pelas empresas de abril a junho (US$ 1,474 bilhão) foi muito menor do que o captado no primeiro trimestre (US$ 8,134 bilhões).

Se as empresas brasileiras continuaram a tomar empréstimos lá fora, mesmo a custo mais elevado, é provável que elas tenham receitas em dólares derivadas da exportação, o que de algum modo compensaria o acréscimo de custos financeiros, a despeito dos riscos decorrentes da continuidade da desvalorização do real.

Deve-se notar ainda que o custo do dinheiro no mercado interno se elevou consideravelmente e a concessão de crédito é regida por critérios mais restritivos aqui adotados pelos bancos, o que pode estimular a captação no exterior.

Seja como for, o endividamento total do setor privado brasileiro, tomando em conjunto bancos e empresas não financeiras, diminuiu R$ 5,460 bilhões ao fim do segundo trimestre, ficando em US$ 295,459 bilhões, o que representa uma queda de 9,26% em relação a março de 2013, quando o total atingiu o pico de US$ 325,614 bilhões.

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