Bancos reforçam apostas no real forte

Em abril (até dia 20), aposta na valorização do real chegou a US$ 13,3 bi, volume 50% maior do que os US$ 8,8 bi verificados em março

Fabio Graner e Renato Andrade/BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2011 | 00h00

As apostas dos bancos na valorização do real dispararam em abril, atingindo US$ 13,3 bilhões no último dia 20, segundo dados divulgados ontem pelo Banco Central.

O volume é 50% maior do que os US$ 8,8 bilhões verificados no fechamento de março e cerca de 30% acima do nível de US$ 10 bilhões que o BC considerava como "desejável" para a chamada "posição vendida" dos bancos em câmbio, quando decidiu limitar esse tipo de aposta.

A trava imposta pelo BC entrou em vigor no dia 4 de abril. Os bancos, que às vésperas do início da medida estavam ajustados ao que desejava a autoridade monetária, rapidamente aceleraram sua exposição ao dólar. Em pouco mais de duas semanas, a aposta na alta do real subiu fortemente. O movimento coincide com a desvalorização mais acentuada do dólar neste mês(cotação de R$1,564 ontem).

O chefe do Departamento Econômico do BC, Túlio Maciel, se limitou a dizer que a disparada na posição vendida dos bancos reflete a "movimentação do mês", de compras do BC em um período com fluxo cambial fraco. Ele informou que as intervenções da autoridade monetária no mercado à vista elevaram as reservas em US$ 5,35 bilhões até o dia 20, enquanto as entradas de dólares superaram as saídas em apenas US$ 133 milhões, no mesmo período. A diferença entre os dois números se reflete na exposição dos bancos ao dólar.

A posição vendida é, na prática, um tipo de operação onde os bancos vendem ao BC dólares que foram captados no exterior. As instituições recebem reais e aplicam os recursos em ativos que pagam a taxa de juros brasileira, bem superior à taxa dos empréstimos tomados lá fora, garantindo assim um bom ganho. Se o dólar perde valor frente ao real, o lucro é ainda maior.

IOF. O BC já percebeu em abril um processo de migração do crédito de curto prazo, tomados no exterior, para operações de longo prazo. Isso é uma indicação de que a decisão de cobrar o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações com prazo de até dois anos começa a surtir efeito. Em março, os empréstimos tomados no exterior somaram US$ 9,6 bilhões.

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