Bancos resistem à redução dos juros

Temendo os efeitos da crise e diante da alta do calote, queda da Selic não é repassada

FERNANDO NAKAGAWA, BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2011 | 03h05

Desde agosto, o governo tenta reduzir os efeitos da crise no Brasil. Em uma ação coordenada, o juro caiu e impostos foram cortados para levar mais brasileiros às compras. O plano é que o crédito seja um dos motores da reação da economia. A ação, porém, parece que esbarra na realidade: com medo da crise e diante da maior inadimplência em dois anos, bancos resistem em diminuir o juro do crédito ao consumo, como no financiamento de veículos e no crediário de loja.

No crédito pessoal a situação é ainda pior, já que taxa média subiu desde agosto quando o Banco Central (BC) começou a reduzir a taxa básica de juros, a Selic.

Levantamento feito pelo Estado com dados do BC mostra que o crédito à pessoa física reagiu pouco à redução da taxa Selic e a reversão das medidas de contenção do crédito.

Desde o início dessas mudanças, no fim de agosto, até a última semana de novembro - antes do corte do juro no dia 30, a taxa Selic havia sido reduzida em um ponto porcentual, para 11,5%, uma diminuição equivalente a 8% da taxa.

Nos empréstimos, porém, a evolução foi bem diferente: no crédito pessoal, por exemplo, a despeito da Selic menor e do esforço do governo em incentivar os financiamentos, os cinco principais bancos de varejo elevaram, na média, o custo desse dinheiro em 2,5% no período.

No crédito para a compra de veículos, o juro seguiu praticamente estável, com leve recuo equivalente a 0,4%.

A linha com o melhor desempenho é o financiamento de loja, cuja taxa média cobrada pelos maiores bancos caiu proporcionalmente 3,7%. Mesmo assim, a metade da redução da Selic.

Mais caro. Os dados do Banco Central mostram que, no crédito pessoal, o custo médio para tomar os empréstimos subiu em quatro dos cinco maiores bancos: Caixa (aumento proporcional do custo de 6,6%), Itaú (5,5%), Santander (3,4%) e Bradesco (0,2%).

No banco estatal, a taxa média avançou de 2,43% ao mês, nos dias que antecederam o primeiro corte da taxa Selic em agosto, para 2,59%, no fim de novembro.

O Banco do Brasil foi o único que diminuiu o custo dessa operação. E apesar de ter liderado o aumento, a Caixa segue com a menor taxa nessa linha de financiamento.

No financiamento de veículos, segmento importante para o mercado de trabalho e que é acompanhado com lupa pela equipe econômica, o custo dos financiamentos recuou pouco mais de 1% em três bancos, subiu em um e manteve-se estável em uma quinta instituição.

Recentemente, o governo decidiu taxar a importação de veículos para incentivar a produção nacional e preservar empregos nas montadoras instaladas no Brasil.

Comércio. No crédito concedido em loja, a taxa recuou em três instituições - com queda do custo entre 5,2% e 7,3%, mas na Caixa subiu 4,5% no período.

Ou seja, não há tendência única. O recuo mais pronunciado nessa operação, porém, pode indicar efeito das medidas anunciadas em 11 de novembro, quando o Banco Central retirou amarras ao crédito para pessoa física para impulsionar a demanda.

Apesar do esforço do governo em acelerar o consumo, a Caixa é, entre os grandes, o banco que pratica as taxas de juros mais elevadas no crédito para aquisição de bens, o financiamento de loja. Enquanto a operação da Caixa cobra média superior a 6% ao mês dos clientes, os concorrentes têm taxa entre 2% e 3% mensais.

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