Bancos resistem à reforma do mercado

IIF rejeita principais propostas de regulação defendidas por Geithner

Patrícia Campos Mello, CORRESPONDENTE, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

15 de setembro de 2009 | 00h00

O Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), entidade que representa os maiores bancos do mundo, rejeita grande parte das propostas de reforma da regulamentação financeira defendidas pelo secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner. Em entrevista coletiva ontem, o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, afirmou ser contra um limite fixo de alavancagem (endividamento) para os bancos, e sugeriu que esse limite varie de acordo com o risco dos ativos das instituições financeiras.

"(Um limite de endividamento) seria um instrumento muito inexato", disse Dallara. "Precisamos de uma regulamentação financeira mais equilibrada, e não a chamada regulamentação rigorosa." Muitos se opõem a limites de endividamento de acordo com os riscos dos ativos porque a determinação dos riscos pode variar muito de banco para banco e foi uma das causas para a crise financeira, já que muitas instituições subestimaram seus riscos.

O IIF também se opõe à proposta de Geithner de obrigar instituições consideradas sistemicamente importantes a manter um nível mínimo de capital. Como forma de evitar o surgimento de instituições "grandes demais para quebrar", aquelas cuja falência ameaça todo o sistema, o Tesouro quer desincentivar os bancos de crescer demais. Uma das maneiras é exigir mais capital de bancos maiores. "Não estamos convencidos de que isso seja necessário", disse Dallara. O diretor-gerente do IIF afirmou que isso seria equivalente a "criar categorias artificiais para classificar bancos sistêmicos".

Dallara também voltou a se opor a limites para remuneração de executivos - medida defendida pelo governo francês, e não pelo Tesouro americano. "Apoiamos a adoção de diretrizes para remuneração de executivos, mas acreditamos que não será produtivo ter limites rígidos." Referindo-se à grande revolta popular contra grandes bônus de banqueiros, afirmou: "Não é desejável usar moralismo para abordar o problema da remuneração".

Ele disse que, durante a reunião de cúpula do G20, dias 24 e 25 em Pittsburgh, os governos precisam levar em conta que as instituições financeiras "já mudaram muito". Pouco tempo depois da entrevista, o presidente Barack Obama disse em discurso que os bancos estão voltando aos maus hábitos de antigamente. "Bancos ao redor do mundo reduziram seu endividamento, aumentaram a supervisão de riscos, levantaram US$ 650 bilhões em capital e aumentaram a transparência", garantiu Dallara.

Ele afirmou que o IIF não se opõe à regulamentação, mas quer evitar que excessos "inibam o funcionamento eficiente dos mercados e a reativação do crédito", disse.

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