Bancos revisam câmbio para cima

As instituições financeiras e empresas de consultoria ouvidas pelo Banco Central (BC) em pesquisa semanal revisaram para cima suas projeções para a taxa de câmbio. Os últimos números divulgados por meio de mensagem eletrônica encaminhada a investidores no Brasil e no exterior revelaram que as apostas agora estão mais concentradas em torno da possibilidade de o dólar fechar o ano sendo negociado a R$ 2,02. Na pesquisa anterior, os analistas estavam apostando que a taxa de câmbio deste ano seria de R$ 2,00.A elevação das previsões veio numa semana em que integrantes da área econômica do governo vieram a público para declarar que a taxa de câmbio de R$ 2,04 era insustentável e que o câmbio acabaria por se estabilizar ao longo do tempo. Essa indicação, de que o real se valorizaria um pouco mais, não foi suficiente, entretanto, para alterar as expectativas de desvalorização do mercado financeiro.As incertezas sobre o processo de desaquecimento da economia norte-americana e a crise turca eram apontadas como as principais causas da pressão sobre o mercado de câmbio doméstico. A expectativa, agora, é quanto ao comportamento que o mercado terá já na reabertura dos negócios na tarde de amanhã, depois de todo o noticiário político dos dias de carnaval que envolveram o ex-presidente do Senado Federal, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). O grande temor do mercado, neste caso, é que toda a confusão política acabe por provocar uma redução do ímpeto reformista do segundo governo da administração Fernando Henrique Cardoso.Juros e balançaA pesquisa do Banco Central, distribuída na sexta-feira passada, revelou ainda um congelamento das apostas de mercado em torno da trajetória dos juros no Brasil. As projeções levantadas continuaram nos mesmos 13,75% ao ano da enquete anterior.Ainda, os números revelaram uma deterioração adicional das expectativas de mercado quanto ao comportamento da balança comercial brasileira. A pesquisa aponta para um déficit na balança comercial de US$ 270 milhões para este ano. No levantamento anterior, as estimativas ainda estavam mais próximas de um equilíbrio. O diretor de Política Econômica do Banco Central, Ilan Goldfajn, declarou, entretanto, que a projeção oficial de um superávit de US$ 1 bilhão ainda continua mantida.

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