Bancos sugerem fontes para financiar infraestrutura

A necessidade futura de recursos para financiar projetos de infraestrutura no Brasil poderia ser atendida por parte dos valores acumulados no compulsório sobre depósitos à vista e dos depósitos em poupança, de acordo com proposta apresentada por bancos ao governo federal. O modelo estudado prevê que esses recursos, considerados uma fonte de segurança em momentos de risco sistêmico no mercado financeiro nacional, ajudariam a atender parcialmente à demanda potencial de mais de R$ 1 trilhão em um período de até três anos.

ANDRÉ MAGNABOSCO, Agencia Estado

21 de maio de 2014 | 19h05

De acordo com o diretor da área de Project Finance do Itaú BBA, Alberto Zoffmann, esta é uma das sugestões apresentadas por instituições financeiras ao governo, em resposta a um pedido feito pela própria esfera federal aos bancos em dezembro de 2012. Em linhas gerais, a sugestão dos bancos é de que parte do montante dos compulsórios sobre depósitos à vista encaminhados ao Banco Central seja utilizada para o financiamento de novos projetos de infraestrutura. Hoje, esse recurso não tem qualquer remuneração.

Outra possibilidade seria utilizar uma fatia dos recursos acumulados em depósitos em poupança para o mesmo fim, reduzindo assim uma parte da oferta de recursos repassados ao Banco Central ou utilizados na concessão de empréstimo imobiliário.

A princípio 65% dos depósitos em poupança devem ser aplicados em empréstimo imobiliário, montante que nem sempre consegue ser repassado pelos bancos, segundo o diretor do Itaú BBA. "Uma alternativa seria destinar para o setor de infraestrutura o que não é emprestado ao mercado imobiliário", sintetizou Zoffmann. Outros recursos, estes provenientes do depósito compulsório sobre o valor da poupança, também poderiam abastecer as demandas do setor de infraestrutura.

O tema ganha relevância diante da expectativa de necessidade crescente de recursos para o setor. Em uma simulação apresentada por Zoffmann, a qual considera a meta do País de garantir crescimento de 5% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB) e uma participação de 25% dos investimentos no PIB, os projetos de infraestrutura demandariam R$ 1 trilhão dos bancos em um período entre 2014 e 2016. O cenário apresentado pelo executivo em evento organizado nesta semana pelas federações das indústrias de São Paulo (Fiesp) e Rio de Janeiro (Firjan) leva em consideração que o aumento da demanda por financiamentos não será integralmente atendida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

"Neste momento não há falta de recursos. Mas é possível que falte no futuro se a agenda (de projetos) andar como gostaríamos", afirmou Zoffmann. "Falamos em soluções de recursos subsidiados que poderiam complementar a atuação do BNDES", complementou o diretor do Itaú BBA.

Carteira

Durante sua palestra, Zoffmann destacou os desafios e as oportunidades existentes no atual momento do setor de infraestrutura brasileiro. Os modelos de concessão rodoviários e aeroportuários, já em fase de andamento por parte do governo federal, apresentam um cenário mais atrativo para os investimentos. Os segmentos de portos e ferrovias, por outro lado, ainda são marcados por incertezas.

O portfólio de ativos que o Itaú BBA possui em projetos soma hoje R$ 10 bilhões, de acordo com o executivo. Já a receita da instituição com essa área de projetos deve crescer 47% neste ano, em relação a 2013. No ano passado, a taxa de expansão do Itaú BBA foi de 35% - o executivo não revelou valores.

Essas receitas são oriundas de empréstimos e garantias concedidas, além de atividades nas áreas de assessoria e estruturação financeira de empreendimentos. O Itaú BBA participará, por exemplo, do leilão da BR-153, agendado para a próxima sexta-feira. Zoffmann não revelou, contudo, qual empresa ou consórcio será representado pela instituição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.